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Controle da verminose em ovinos todoelcampo.com.uy

1.      Introdução

Uns dos principais entraves na produção ovina e caprina é a verminose. Esta é causa de morte dos animais, principalmente dos mais jovens, o que diminui a oferta destes para o abate. No entanto, a verminose nem sempre causa doença, isso porque os hospedeiros ou a maioria deles possuem mecanismos imunológico que os possibilitam manter a população de parasitas sob equilíbrio (AMARANTE, 2001). Porém, essa relação pode ser alterada por diversos fatores como condições climáticas desfavoráveis, o estado fisiológico dos animais e pela ação do produtor. A fim de diminuir as perdas econômicas causadas pelos vermes, à utilização profilática de anti-helmínticos tem se intensificado. No entanto, constata-se elevada taxa de reinfecção dos animais mantidos a pasto, o que leva a utilização contínua de tratamentos, impondo uma alta pressão de seleção de parasitas resistentes e por fim o surgimento da resistência anti-helmíntica (ALMEIDA, 2009). Desta forma, a utilização de métodos alternativos para o controle da verminose em ovinos têm se tornado cada vez mais importante. Veremos a seguir alguns destes métodos.

 

2.      Manejo da pastagem

Os principais endoparasitas de ovinos são Haemonchus contortus e Trichostrongylus colubriformis. Estes vermes possuem uma fase de vida livre, que se desenvolve no meio ambiente, e uma fase de vida parasitária que se desenvolve no trato gastrintestinal do animal. A maior população dos vermes está no ambiente e esta é dependente das condições ambientais, principalmente do microclima da pastagem. Logicamente com o tempo estas larvas que estão no ambiente morreram. Porém, são necessários longos períodos de descanso, sem a presença de animais, para que ocorra a morte das larvas e consequentemente a descontaminação da pastagem.

A rotação de pastagem por muitas vezes é considerada como forma de descontaminação da pastagem, mas isso nem sempre é verdade, pois geralmente os piquetes ficam sem animais por períodos que variam de 30 a 40 dias, e este tempo é muito curto para que ocorra a descontaminação, já que o tempo de desenvolvimento de ovo até larva infectante pode durar semanas e a sobrevivência da larva infectante na pastagem pode ser de meses.

Segundo Amarante (2009), uma das formas de promover a desinfecção da pastagem seria adotar o descanso da pastagem (sem a presença de animais) por um período de 60 a 90 dias, isto porque a mortalidade das larvas após este descanso prolongado pode resultar em descontaminação ambiental. Porém, essa prática se torna inviável, pois é incompatível com o manejo das forrageiras, que visa o aumento qualitativo e quantitativo da produção, além de reduzir área disponível para os animais nas propriedades que utilizam as pastagens ao longo de todo o ano. No entanto, o período de descanso pode ser utilizado com culturas agrícolas em áreas manejadas em sistemas de integração lavoura pecuária (ILP), podendo reduzir o desenvolvimento e a sobrevivência de larvas infectantes presentes na pastagem.

O consorcio de diferentes espécies de herbívoros como ovinos, bovinos, equinos e caprinos, também pode ser adotado como forma de desinfecção da pastagem. Isso porque a maioria dos parasitas são espécie específicos, ou seja, são destruídos ao serem ingeridos por animais os quais não estão adaptados. O pastoreio pode ser misto ou alternado. Bons resultados com o pastoreio misto são alcançados quando animais susceptíveis compartilham a pastagem com animais resistentes da mesma ou de outra espécie. Cuidados devem ser tomados ao adotar o consórcio de animais, quando da utilização de bovinos com ovinos, o ideal que sejam utilizados bovinos adultos para que se diminua os riscos da infecção cruzada. Vale ressaltar, que ovinos e caprinos são parasitados pelas mesmas espécies de endoparasitas, por este motivo, não deve ser utilizado à consorciação entre estas espécies com o intuito de descontaminação da pastagem.

 

3.      Confinamento

Desde que sejam fornecidos alimentos livres de contaminação, o confinamento é uma boa alternativa de controle da verminose ovina. Porém, este deve ser muito bem planejado, pois o confinamento é um sistema muito caro podendo acarretar grandes prejuízos.

Cuidados devem ser tomados para o controle de Strongyloides, as baias de confinamento devem ser limpas periodicamente. Além disso, um outro parasita, o protozoário Eimeria, causador da coccidiose é um problema para animais confinados. Além da limpeza das baias, deve-se evitar que os animais defequem dentro dos bebedouros e comedouros.

 

4.      Suplementação concentrada

A nutrição também é uma arma para o controle da verminose em ovinos. Animais bem nutridos apresentam aumento na habilidade para enfrentar o parasitismo, apresentando resistência, limitando o estabelecimento das larvas no trato gastrintestinal, desenvolvimento e fecundidade dos vermes, além de eliminar os parasitas já estabelecidos. Os requerimentos em proteína metabolizável dos animais parasitados aumentam em 20 a 25% quando comparados a animais não parasitados. Este com certeza é um dos métodos mais importantes no controle da verminose ovina.

 

5.      Seleção e criação de animais resistentes

Junto com a nutrição a seleção e criação de animais resistentes é um dos métodos mais promissores no controle da verminose ovina. A resistência frente ao parasitismo varia com a raça e dentro de uma mesma raça existem animais resistentes e susceptíveis. Isto porque, a distribuição dos vermes numa população animal possui uma distribuição binomial negativa, ou seja, maior parte dos indivíduos são pouco parasitados, enquanto poucos animais apresentam a maior população de vermes. O que nos possibilita dividir os animais em resistentes, tolerantes (resilientes) e susceptíveis. Se dentro de um rebanho forem identificados e eliminados os animais susceptíveis haverá menor contaminação da pastagem e consequentemente poderá diminuir a infecção animal.

 

6.      Uso de vacinas, fitoterápicos e controle biológico

A vacina para o controle de H. contortus já está à venda na Austrália, onde os resultados são animadores. Aqui no Brasil, está sendo pesquisada o seu uso por centros importantes como na Unesp Campus de Botucatu pela equipe do Professor Alessandro Amarante.

Quanto ao uso de fitoterápicos, até o momento não se dispõe no mercado de fitoterápicos validados cientificamente para o controle da verminose ovina. Porém, estes têm sido pesquisados em muitos centros de pesquisas como na EMBRAPA de São Carlos.

O controle biológico com o uso de fungos nematófagos tem conseguido bons resultados no controle de nematódeos gastrintestinais de ovinos, estes destroem as formas infectantes, ovos e larvas do parasita.

 

7.      Considerações Finais

Depender somente da utilização de anti-helmínticos para o controle da verminose em ovinos é uma atividade falida. Hoje os estudos demonstram que o melhor método é o manejo animal, principalmente nutricional e seleção e criação dos animais resistentes. Nos próximos artigos discutirei separadamente cada uma destas alternativas de controle.

 

Bibliografia

ALMEIDA, F. A. Caracterização da resistência a anti-helmínticos de isolados de Haemonchus contortus e Trichostrongylus colubriformis oriundos de ovinos. 2009. 51f. Dissertação (Mestrado em Biologia Geral e Aplicada). Universidade Estadual Paulista, Botucatu, São Paulo, 2009.

 

AMARANTE, A.F.T. Nematoides gastrintestinais em ovinos. In: Cavalcante, A.C.R., et al. (Eds.), Doenças parasitárias de caprinos e ovinos: epidemiologia e controle. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica, 2009, 17–61 pp.

 

AMARANTE, A. F. T. Controle de endoparasitoses dos ovinos. In: SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 38, 2001, Piracicaba. Anais...São Paulo: FEALQ, 2001, p.461-473

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Sobre o autor

Website.: www.facebook.com/fabiana.almeida.3950

Zootecnista formada na Universidade Estadual Paulista - UNESP Câmpus de Ilha Solteira. Mestre em Biologia Geral e Aplicada pela UNESP Câmpus de Botucatu. Doutora em Zootecnia pela UNESP Câmpus de Jaboticabal. Pós-doutoranda do Departamento de Parasitologia da UNESP Câmpus de Botucatu. Tem experiência na área de Zootecnia, com ênfase em Produção Animal, Avaliação de Alimentos para Ruminantes e Parasitologia Zootécnica, atuando principalmente nos seguintes temas: Produção de Ovinos, Qualidade da Carne Ovina e Parasitologia de Ruminantes (resistência e controle).

Contato: (18) 99776-1412
Botucatu - SP

E-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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