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O hábito alimentar dos caprinos é diferente dos bovinos e ovinos, eles andam o dobro da distância no pastejo, possuem preferência por forrageiras de folhas largas, são altamente seletivos, possuem hábito de pastejo alto, se alimentam de maior número de espécies vegetais, os ramos e folhas de arbustos chegam a quase 70% da dieta.

Quando são comparados aos demais ruminantes os caprinos possuem uma maior taxa de passagem e absorção dos nutrientes (aproveitamento), capacidade digestiva com maior numero de mastigação, liquido ruminal é mais rico em bactérias celulolíticas.

É fundamental estimar o consumo de Matéria Seca (MS) para formular dietas balanceadas, o consumo de alimentos esta relacionado a vários fatores ligados ao animal como: raça, aptidão, estado fisiológico e também fatores ligados ao meio ambiente: tipo de forragem, estágio de crescimento da planta, grau de moagem, método de conservação da forragem, temperatura ambiente, quantidade de MS oferecidas.

A quantidade de alimento consumido é diferente para cada categoria animal:

  • Cabras em lactação: 3.0 a 5.0% do PV.
  • Cabras em gestação: 2.2 a 2.8% do PV.
  • Cabritos em crescimento: 2.5 a 3.0% do PV.
  • Bodes: 2.0% do PV.

As exigências nutricionais variam conforme a fase de desenvolvimento, estado fisiológico e nível de produção, portanto, é importante definir com clareza o objetivo de cada fase do ciclo de vida, com os cuidados exigidos, elaborando uma programação alimentar completa.

 

Fase de aleitamento:

Primeira fase da criação e fundamental para o futuro dos animais.

Objetivo principal: desaleitar (desmamar) o quanto antes.

Colostro:

  • Transferência de imunidade e efeito laxativo.
  • Assegurar a ingestão nas primeiras 6 horas.

Substitutos:

  • Sucedâneo: 200ml de soro sangue + 300ml de leite (pasteurizado ou de vaca).
  • Colostro tratado: 56 C por hora.
  • Colostro de vaca: “ideal” (Banco de Colostro) descongelar e aquecer em banho Maria.
  • Fornecer em baldes ou mamadeiras.
  • A vontade por 3 dias consecutivos.

- A partir do 3o dia: ração, sal mineralizado e água à vontade.

Ração: constituída por volumoso (feno) e concentrado.

Capim: promove um tipo de fermentação que auxilia a produção de ácidos graxos voláteis que aperfeiçoam o crescimento das papilas ruminais (que promovem a absorção dos alimentos).

 

Fase de Recria:

Do desaleitamento a idade produtiva

Cabritos em crescimento: Geralmente é o cabrito que será utilizado como reprodutor ou ainda animais que serão abatidos para produção de carne.

Já são ruminantes – então a base da alimentação deve ser de alimentos volumosos, como feno, silagem ou pasto.

Esse volumoso dever ser suplementado com quantidades de concentrado.

Quantidade de concentrado no máximo de 300 a 400 g/animal/dia. Pois o mesmo tem grande quantidade de fósforo podendo promover o surgimento de urolitíase (cálculo renal), mais frequente em machos do que nas fêmeas. Na maior parte das vezes, o problema é irreversível.

 

Reprodutores machos:

  • Entre 500 a 700g de concentrado/dia
  • Relação Ca: P = 1.5 a 2:1

 

Cabritos em crescimento:

  •  60 a 70% do peso adulto
  •  6 a 8 meses (reprodução) de idade
  • Volumoso de boa qualidade à vontade
  • Concentrado de acordo com ganho preconizado

Mineralização:

  • Cuidado especial: acompanhar o desenvolvimento da fêmea por meio de pesagens periódicas.
  • É importante considerar que no 1o terço e no terço médio da gestação a quantidade de nutrientes requeridos pela fêmea não sofrem variação acentuada, pois é no terço final que ocorre maior desenvolvimento do feto.

 

Cabras em final de gestação:

  • Ingestão de alimento com taxas menores que 20%.
  • 500 a 600g de concentrado/dia
  • Atenção – suplementar com vitamina A.

 

Cabras em lactação:

  • 500g de concentrado/dia (mantença)
  • 200 a 300g de concentrado/Kg de leite
  • Atenção especial: suplementar com vitamina E, Ca e P.
  • Volumoso de boa qualidade e à vontade.
Publicado em Manejos

O período de gestação de uma cabra é de 5 meses e o fundamental é que a mesma tenha seu primeiro parto aos 12 meses. Abaixo algumas dicas de manejo para um boa programação reprodutiva:
Puberdade Fisiológica: 40 a 50% do peso adulto (mais ou menos 20 Kg – 3-4 meses)
Puberdade Zootécnica: 60 a 70% do peso adulto (mais ou menos 35Kg – 6-8 meses)

Programação Reprodutiva de Indução de cio

  • O lote de machos deve ser subdividido em grupos menores, de forma que um deles coincida com a estação de monta natural (final do verão e começo do outono).
  • Nos outros grupos deverá ser realizada a indução de cio.
  • Geralmente divide-se o plantel em três grupos (melhores resultados econômicos).

Métodos de Indução de cio:

Natural:

  1. Efeito macho:
    • Possui uma eficiência de 70 a 80%
    • Consiste em separar as cabras dos bodes por um período de 60 dias
    • Sem contato tátil, visual e olfativo
    • Decorrido este período, aproximar os machos das fêmeas
    • O cio se manifestará a partir do 10 dia
  2.  Programação de luz:
    • Possui uma eficiência de 80 a 90%
    • É um método natural de indução de cios
    • Consiste em proporcionar as fêmeas que estão em anestro, luz artificial de forma suplementar à luz natural
    • O número de horas de luz artificial fornecida acrescida do número de horas de luz natural deve ser igual a 16 horas de luz por dia
    • As fêmeas devem permanecer recebendo essas 16 horas de luz/dia por um período de 60 dias
    • Decorrido esse tempo, retira-se a luz artificial, deixando-as somente com luz natural
    • Após 10 dias, as fêmeas entrarão em cio

"O ideal é associar os dois métodos naturais."

Artificial:

  1. Tratamento hormonal:
    • Utiliza-se o método das esponjas vaginais
    • Protocolo para indução de cios e inseminação artificial
    • Fêmeas vazias e saudáveis – 170 dias após o último parto
    • Cabritas: desverminar 15 dias antes
  2. Gestação:
    • Duração: média 152 dias (132 a 166)
    • Cuidados: evitar brigas, não desverminar, não medicar.
    • Secagem: 45 dias antes do parto.

Desenvolvimento do feto
É influenciado por: genética, alimentação, idade da cabra, sexo da cria, número de fetos, ambiente materno, época de nascimento.

  • Parto
    • Vulva e cauda umedecida
    • Raspa o chão “preparando o ninho”
    • A cabra olha para traz e bale (deitada)
    • As contrações tornam-se fortes e frequentes
    • A bolsa começa a ser expulsa
    • A bolsa se rompe
    • Ocorre a expulsão do feto
    • Parto sempre assistido
    • Cuidados com o recém-nascido
    • Secar e massagear a cria (papel toalha) estimular a respiração
    • Cortar o cordão umbilical (não amarrar)
    • Tratar o cordão umbilical (solução iodada)
    • Identificar o recém-nascido
    • Pesar (importante para dados zootécnicos)
    • Fornecer o colostro (de vaca)

Confira a série especial da Valeu Vallée, sobre Sanidade em Pequenos Ruminantes.  Nesta edição, é destacado o calendário vacinal, vermifugação, e às principais doenças que afetam o desempenho produtivo. 
http://rblvet.com/caprinos/manejos/sanidade-em-pequenos-ruminantes.html

Publicado em Manejos
A Linfadenite Caseosa (Pseudotuberculose) É enfermidade infecto-contagiosa crônica de localização principal nos pulmões e linfonodos de ovinos e caprinos.
 
Etiologia
- Corynebacterium pseudotuberculosis
- Gram + resistentes a dessecação, sensível ao sol e desinfetante comuns.
 
Epidemiologia
- Acomete ovinos e caprinos e eventualmente bovinos, sem distinção de sexo entre 1 e 2 anos de idade.
 
Distribuição
- Cosmopolita;
 
Transmissão
- As fontes de contaminação estão no solo, água, alimentos contaminados por fezes dos animais doentes de muco nasal e bucal e descargas de abscessos rompidos.
- Reservatórios: São os próprios doentes;
- Morbidade: Variável – depende da higiene – 10 / 50%
- Letalidade: Difícil estabelecer, pois os jovens vão para abate e os adultos vão depauperando (doença progressiva crônica) não tem cura.
 
Patogenia – Animais com múltiplos focos de abscessos. Ocorre caquexia, toxemia e morte.
Vias de infecção
Via Respiratória - é a via mais comum. Maior frequência de lesões pulmonares e linfonodos mediastinais.
Via Cutânea - é a via mais importante. Causada por ferimentos de tosquia, caudectomia, marcação de orelha. É mais comum no agreste brasileiro devido aos ferimentos causados por plantas com espinhos (vegetação traumatizante), sol forte e falta de higiene.
Via Sanguínea - Abscessos. Quando evoluído apresenta organização interna de pus, em capas concêntricas dando aspecto de cebola. Formação de abscessos. Não drenar caso não esteja organizado e evoluído.
Via Digestiva - Menos importante. 
 
Instalação do Microorganismo
Na instalação ocorre uma quimiotaxia de neutrófilos gerando pus caseoso e denso que se incapsula formando abscessos. Estes se desidratam e ocorre infiltração de sais de cálcio. À necropsia range ao corte de faca.
 
Diagnóstico
Clínico - Biopsia - Nos casos onde os sinais são inaparentes (condenação de carcaça) Em casos com sinais  Caquexia progressiva e anemia; linfonodos hiperplásicos, dispnéia, aumento de volume cutâneo, mastite nodular.
Definitivo - Isolar o agente.
Diferencial - Tuberculose.
 
Prognóstico
Ruim (medicamentos não atingem a concentração terapêutica dentro das lesões)
 
Tratamento (discutível)
Antibioticoterapia (agente sensível).
 
Profilaxia
- Boa higiene – aplicação de desinfetantes nas instalações;
- Evitar traumas;
- Separar os animais com linfonodos aumentados;
- Manobras cirúrgicas em locais limpos;
- Desinfecção do instrumental com desinfetantes.
 
Publicado em Enfermidades

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