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Bárbara Cardoso da Mata e Silva - Zootecnista
Luiz Antônio Rodrigues Alves Pereira Júnior - Médico Veterinário

 

Compost barn é um sistema de estabulação livre com grande área de descanso e cama de material orgânico, composta geralmente por serragem ou maravalha. A adoção deste sistema é relativamente nova em propriedades leiteiras brasileiras, e tem despertado interesse crescente do setor produtivo. 

foto: agweb.com

 

O material da cama é revirado pelo menos duas vezes ao dia, no momento em que as vacas estão sendo ordenhadas, visando facilitar o processo de compostagem com a urina e as fezes, e adicionalmente, esse composto pode futuramente ser utilizado para adubação em diversas culturas.

 

O conforto das vacas tem sido um grande problema na maioria das explorações leiteiras, e este novo tipo de instalação pode reduzir esta grande preocupação. Se a cama for bem manejada e tiver um bom dimensionamento para a quantidade de vacas alojadas, proporciona superfície seca e confortável, oferecendo melhorias no conforto para as vacas leiteiras.

 

Com um manejo criterioso o sistema pode permitir:

  • Melhoria na qualidade do leite, com a redução da contagem de células somáticas (CCS);
  • Redução do estresse das vacas e de problemas de casco;
  • Melhoria no sistema imunológico quando comparado a outros tipos de instalações;
  • Redução dos custos de implantação e manutenção das instalações;
  • Incremento dos índices produtivos e sanitários do rebanho;
  • Alternativa para o uso correto de dejetos orgânicos, como fezes e urina provenientes da atividade leiteira;
  • Melhoria na estabilidade dos desejos obtidos, incrementando seu valor agronômico;
  • Minimizar odores desagradáveis e a ocorrência de moscas.

 

Diferentes temperaturas ao longo do ano afetam a temperatura interna da cama e consequentemente da compostagem, bem como o clima no interior do galpão. Esse reflexo pode ser significativo quando em condições tropicais como as brasileiras, sendo muitas vezes necessária a utilização de ventiladores no interior do galpão, evitando o estresse térmico das vacas.

 

O benefício mais notável ​​do sistema é o bem-estar das vacas, bem como a saúde do sistema locomotor. Desse modo, pesquisas vêm relatando que vacas leiteiras alojadas em sistema compost barn possuem menor incidência de lesões no jarrete e claudicação se comparado aquelas alojadas em free-stall.

 

O ato de deitar é um comportamento considerado indicador de bem-estar em vacas leiteiras, sendo utilizado para comparar o conforto em diferentes instalações.

Foto: Iastate.edu

 

Assim, ao comparar o tempo em que as vacas permanecem deitadas, Eckelkamp et al. (2013) observaram que em comport barn esses animais gastaram 4 horas a mais do dia nessa posição se comparado a free-stall (9,1 e 13,1 horas/dia, respectivamente).

 

Dessa forma, ao longo do dia as vacas têm grande necessidade de deitar, mas podem privar dessa atividade substituindo por outra quando não há conforto na cama.

 

Claudicação, injúrias no jarrete e escore de higiene do úbere são formas úteis para monitorar o bem-estar das vacas. A claudicação permite a observação visual de problemas no casco. Lesão no jarrete é indicativa da condição da superfície sobre a qual a vaca repousa. E o escore de higiene do úbere, tem sido associado à incidência de mastite em bovinos leiteiros.

 

Quando comparado ao sistema free-stall, o compost barn pode ter menor prevalência de lesões no casco. Já a higiene do úbere da vaca, que esta relacionada à contagem de células somáticas (CCS) e assim, a mastite subclínica, pode ter menor prevalência no sistema compost barn se houver manejo adequado.

 

No estudo de Barberg et al. (2007) houve incremento na produção de leite em 955 ± 315 kg/vaca/ano, após a transição do sistema free-stall para compost barn em uma propriedade leiteira, além do aumento nos percentuais de gordura e proteína no leite após a transição. Neste contexto, o compost barn pode potencialmente melhorar o conforto da vaca, diminuindo consequentemente a mastite, e em suma, aumentando a produção de leite.

 

Assim, seguindo as recomendações do sistema, o compost barn pode melhorar o bem-estar, bem como a longevidade das vacas leiteiras por meio da redução na claudicação, lesões no jarrete, e contagem de células somáticas (CCS), além defavorecer a higiene da vaca e o aumento na produção de leite.

 

Referências:

BARBERG, A. E.; ENDRES, M. I.; SALFER, J. A.; RENEAU, J. K.. Performance and welfare of dairy cows in an alternative housing system in Minnesota. Journal of Dairy Science, v. 90, p.1575-1583, 2007.

ECKELKAMP, E. A.; C. N. GRAVATTE; C. O. COOMBS; BEWLEY, J. M. Case study: Characterization of lying behavior in dairy cows transitioning from a free-stall barn to compost bedded pack barn. Professional Animal Scientist, 2013.

 
Publicado em Manejos

Tempo de período seco e sua influência sobre a qualidade do colostro de vacas leiteiras

 

Determinar qual o período ideal de descanso da glândula mamária é uma dúvida constante tanto para os produtores quanto para o meio científico. Ao se optar por nenhum período de secagem, as vacas podem apresentar melhor balanço energético e melhores condições de saúde na próxima lactação. Porém, a produção subsequente pode ser penalizada, bem como a qualidade imunológica do colostro.

Alguns trabalhos relatam que entre 4 ou 8 semanas de período seco, não existe diferenças entre a qualidade do colostro, o tempo de gestação e nem para o peso corporal ao nascimento dos bezerros.

É importante lembrar que o colostro é a única passagem de anticorpos para os bezerros após o nascimento, e como a estratégia do período seco pode influenciar esse alimento nobre, a escolha de qual o tempo que será adotado é de suma importância para garantir a sua qualidade e a saúde das bezerras, que são as futuras matrizes do rebanho.

Fonte: Arquivo pessoal

 

Com o objetivo de avaliar o efeito do tempo de período seco de vacas leiteiras e o seu impacto sobre a qualidade do colostro e a transferência de imunidade para os bezerros, bem como a saúde e o desempenho dos mesmos, um estudo foi realizado por Mayasari et al. (2015), da universidade de Wageningen, nos Países Baixos.

Foram utilizadas 167 vacas da raça Holandesa (60 primíparas e 107 multíparas) alojadas em free-stall, distribuídas em três tratamentos: 0, 30 ou 60 dias de período seco.

Após o parto, 63 bezerras foram separadas das suas mães e receberam 4 L do colostro das respectivas mães, em dois fornecimentos. Uma amostra do colostro de cada vaca foi coletada para análises específicas. Após 24 horas as bezerras passaram a receber 4 L de sucedâneo lácteo, em dois fornecimentos, até os 60 dias de idade, além de concentrado e feno misturados. Até as duas semanas de idade as bezerras foram alojados individualmente e em seguida foram criados em grupos de 6 a 8 animais, sendo acompanhados até 12 semanas de idade.

Fonte: Arquivo pessoal

 

Segundo os autores, a quantidade de colostro produzido na primeira ordenha por vacas com período seco de 60 dias foi maior do que vacas com 30 ou sem nenhum dia de secagem. Vacas sem período de secagem tiveram as menores concentrações de anticorpos, a qual não diferiu entre as de 30 e 60 dias. A falta de tempo de secagem proporcionou antecipação de parto e não alterou o peso corporal, o ganho de peso e nem a saúde das bezerras.

A avaliação da transferência da imunidade passiva demonstrou que as defesas humorais das bezerras que receberam colostro de vacas que não tiveram período seco não foi afetada a longo tempo, mesmo recebendo um colostro com menores quantidades de anticorpos. Uma observação importante dos autores é que as vacas mais velhas apresentaram colostros com maiores quantidades de anticorpos e forneceram melhores transferências de imunidade do que as primíparas.

Este estudo demonstrou que a omissão do período de secagem das vacas reduz o conteúdo de imunoglobulinas e de outros fatores naturais imunológicos no colostro, podendo reduzir a transferência de alguns deles nas primeiras semanas de vida dos neonatos, porém, sem efeitos negativos no crescimento e na saúde até as 12 semanas de idade das bezerras. Os autores chamam atenção que os animais foram criados em condições excelentes de manejo e sugerem que respostas diferentes podem ocorrer caso os animais sejam criados em ambientes com maiores desafios. Um maior período de acompanhamentos desses animais também é indicado pelos autores.

Fonte: arquivo pessoal

Sendo assim, os autores concluíram que mesmo com o fornecimento de colostros de pior qualidade de vacas que não passaram por um período seco, esses bezerros apresentaram uma maturação do sistema imunológico anterior aos filhos de vacas com 30 ou 60 dias de período seco, além de terem uma resposta mais rápida aos desafios do que os outros bezerros.

 

Referência:MAYASARI, N. ET AL. EFFECT OF MATERNAL DRY PERIOD LENGTH ON COLOSTRUM IMMUNOGLOBULIN CONTENT AND ON NATURAL AND SPECIFIC ANTIBODY TITERS IN CALVES. JOURNAL OF DAIRY SCIENCE, V. 98, N. 6, P. 3969-3979, 2015.

 
Publicado em Manejos

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