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Tempo de período seco e sua influência sobre a qualidade do colostro de vacas leiteiras

 

Determinar qual o período ideal de descanso da glândula mamária é uma dúvida constante tanto para os produtores quanto para o meio científico. Ao se optar por nenhum período de secagem, as vacas podem apresentar melhor balanço energético e melhores condições de saúde na próxima lactação. Porém, a produção subsequente pode ser penalizada, bem como a qualidade imunológica do colostro.

Alguns trabalhos relatam que entre 4 ou 8 semanas de período seco, não existe diferenças entre a qualidade do colostro, o tempo de gestação e nem para o peso corporal ao nascimento dos bezerros.

É importante lembrar que o colostro é a única passagem de anticorpos para os bezerros após o nascimento, e como a estratégia do período seco pode influenciar esse alimento nobre, a escolha de qual o tempo que será adotado é de suma importância para garantir a sua qualidade e a saúde das bezerras, que são as futuras matrizes do rebanho.

Fonte: Arquivo pessoal

 

Com o objetivo de avaliar o efeito do tempo de período seco de vacas leiteiras e o seu impacto sobre a qualidade do colostro e a transferência de imunidade para os bezerros, bem como a saúde e o desempenho dos mesmos, um estudo foi realizado por Mayasari et al. (2015), da universidade de Wageningen, nos Países Baixos.

Foram utilizadas 167 vacas da raça Holandesa (60 primíparas e 107 multíparas) alojadas em free-stall, distribuídas em três tratamentos: 0, 30 ou 60 dias de período seco.

Após o parto, 63 bezerras foram separadas das suas mães e receberam 4 L do colostro das respectivas mães, em dois fornecimentos. Uma amostra do colostro de cada vaca foi coletada para análises específicas. Após 24 horas as bezerras passaram a receber 4 L de sucedâneo lácteo, em dois fornecimentos, até os 60 dias de idade, além de concentrado e feno misturados. Até as duas semanas de idade as bezerras foram alojados individualmente e em seguida foram criados em grupos de 6 a 8 animais, sendo acompanhados até 12 semanas de idade.

Fonte: Arquivo pessoal

 

Segundo os autores, a quantidade de colostro produzido na primeira ordenha por vacas com período seco de 60 dias foi maior do que vacas com 30 ou sem nenhum dia de secagem. Vacas sem período de secagem tiveram as menores concentrações de anticorpos, a qual não diferiu entre as de 30 e 60 dias. A falta de tempo de secagem proporcionou antecipação de parto e não alterou o peso corporal, o ganho de peso e nem a saúde das bezerras.

A avaliação da transferência da imunidade passiva demonstrou que as defesas humorais das bezerras que receberam colostro de vacas que não tiveram período seco não foi afetada a longo tempo, mesmo recebendo um colostro com menores quantidades de anticorpos. Uma observação importante dos autores é que as vacas mais velhas apresentaram colostros com maiores quantidades de anticorpos e forneceram melhores transferências de imunidade do que as primíparas.

Este estudo demonstrou que a omissão do período de secagem das vacas reduz o conteúdo de imunoglobulinas e de outros fatores naturais imunológicos no colostro, podendo reduzir a transferência de alguns deles nas primeiras semanas de vida dos neonatos, porém, sem efeitos negativos no crescimento e na saúde até as 12 semanas de idade das bezerras. Os autores chamam atenção que os animais foram criados em condições excelentes de manejo e sugerem que respostas diferentes podem ocorrer caso os animais sejam criados em ambientes com maiores desafios. Um maior período de acompanhamentos desses animais também é indicado pelos autores.

Fonte: arquivo pessoal

Sendo assim, os autores concluíram que mesmo com o fornecimento de colostros de pior qualidade de vacas que não passaram por um período seco, esses bezerros apresentaram uma maturação do sistema imunológico anterior aos filhos de vacas com 30 ou 60 dias de período seco, além de terem uma resposta mais rápida aos desafios do que os outros bezerros.

 

Referência:MAYASARI, N. ET AL. EFFECT OF MATERNAL DRY PERIOD LENGTH ON COLOSTRUM IMMUNOGLOBULIN CONTENT AND ON NATURAL AND SPECIFIC ANTIBODY TITERS IN CALVES. JOURNAL OF DAIRY SCIENCE, V. 98, N. 6, P. 3969-3979, 2015.

 
Publicado em Manejos

Manejos alimentares no período seco de vacas leiteiras, com o objetivo de reduzir riscos de distúrbios metabólicos no pós-parto, vêm sendo foco de pesquisas há décadas. Trabalhos mais antigos indicavam adensamento energético das dietas no pré-parto, com o objetivo de reduzir o balanço energético negativo (BEN) no pós-parto e os distúrbios metabólicos. Porém, essa alta energia fornecida no pré-parto possui efeitos negativos no metabolismo do animal no pós-parto e pode proporcionar aumento da condição corporal do animal, com subsequente queda do consumo de matéria seca e severo BEN no pós-parto, apresentando maiores riscos de desenvolvimento de distúrbios, como a hipercetonemia.

Fonte: Arquivo pessoal

 

A atual recomendação de dietas no pré-parto indicam um formulação controlada da densidade energética e acompanhamento da condição de escore corporal dos animais. A forma como essa dieta deve ser fornecida ainda é algo discutido. Realizar a restrição da quantidade de alimento fornecido pode ser uma prática não aconselhável em fazendas produtoras de leite, promovendo maior competição de cocho entre os animais no free-stall, além de favorecer a redução exacerbada do consumo de MS, podendo deixar alguns animais com o consumo de energia abaixo do preconizado.

Fonte: Arquivo pessoal

 

Estudo realizado por Mann et al. (2015), nos Estados Unidos, conduzido no Centro de Ensino e Pesquisa de Cornell, com 84 vacas da raça Holandesa, teve como objetivo comparar o efeito de três diferentes estratégias de dietas no pré-parto e avaliar o seu efeito sobre o balanço energético e a transição de vacas leiteiras, bem como o seu desempenho e produção 42 dias no pós-parto.

Todos os animais foram alojados individualmente, em tie-stall, aproximadamente 57 dias antes da data prevista de parto. Os animais foram alimentados com dietas completas ad libitum, divididos nos seguintes tratamentos: energia controlada; alta energia (150% da energia requerida) e intermediária energia (mesma dieta do grupo com energia controlada, nos primeiros 28 dias do pré-parto, e dieta com 125% da energia requerida, nos 28 dias antes da data prevista de parto).

Ao avaliarem o consumo de MS no pós-parto, os autores similaridade entre os tratamentos, com queda de consumo em todos os grupos após o parto, porém, animais alimentados com energia controlada apresentaram queda de consumo mais suave quando comparada aos animais dos demais grupos, mantendo o consumo mais constante durante o período de transição. Para a produção de leite, nenhuma das dietas alterou a produção dos animais, e a maior produção de gordura no leite dos animais alimentados com alta energia pode estar ligada a maior mobilização de gordura corporal dos mesmos nas primeiras semanas de lactação.

 

Fonte: Arquivo pessoal

 

Segundo os autores, animais alimentados com alta energia (150%) apresentaram maiores concentrações de ácidos graxos não esterificados e de beta-hidroxibutirato no pós-parto imediato, indicando severo BEN nesse grupo e maior hipercetonemia. Os animais alimentados com dieta intermediária apresentaram dados que reduzem um pouco alguns dos efeitos negativos verificados pela dieta de alta energia.

Nesse contexto, os autores concluíram que os animais alimentados com dietas com alta e intermediária energia apresentaram maiores incidências de hipercetonemia e verificaram que diferentes planos de energia no pré-parto não alterou a produção de leite e o consumo de matéria seca dos animais. Segundo os autores, a dieta com energia controlada no pré-parto é a mais indicada, por minimizar o balanço energético negativo do pós-parto e por prevenir os possíveis efeitos de hipercetonemia.

 

Referência: MANN, S. et al. Dry period plane of energy: Effects on feed intake, energy balance, milk production, and composition in transition dairy cows. Journal of dairy science, v. 98, n. 5, p. 3366-3382, 2015.

Publicado em Manejos

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