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Diferentes planos alimentares de energia no período seco de vacas leiteiras Rafael Azevedo

Manejos alimentares no período seco de vacas leiteiras, com o objetivo de reduzir riscos de distúrbios metabólicos no pós-parto, vêm sendo foco de pesquisas há décadas. Trabalhos mais antigos indicavam adensamento energético das dietas no pré-parto, com o objetivo de reduzir o balanço energético negativo (BEN) no pós-parto e os distúrbios metabólicos. Porém, essa alta energia fornecida no pré-parto possui efeitos negativos no metabolismo do animal no pós-parto e pode proporcionar aumento da condição corporal do animal, com subsequente queda do consumo de matéria seca e severo BEN no pós-parto, apresentando maiores riscos de desenvolvimento de distúrbios, como a hipercetonemia.

Fonte: Arquivo pessoal

 

A atual recomendação de dietas no pré-parto indicam um formulação controlada da densidade energética e acompanhamento da condição de escore corporal dos animais. A forma como essa dieta deve ser fornecida ainda é algo discutido. Realizar a restrição da quantidade de alimento fornecido pode ser uma prática não aconselhável em fazendas produtoras de leite, promovendo maior competição de cocho entre os animais no free-stall, além de favorecer a redução exacerbada do consumo de MS, podendo deixar alguns animais com o consumo de energia abaixo do preconizado.

Fonte: Arquivo pessoal

 

Estudo realizado por Mann et al. (2015), nos Estados Unidos, conduzido no Centro de Ensino e Pesquisa de Cornell, com 84 vacas da raça Holandesa, teve como objetivo comparar o efeito de três diferentes estratégias de dietas no pré-parto e avaliar o seu efeito sobre o balanço energético e a transição de vacas leiteiras, bem como o seu desempenho e produção 42 dias no pós-parto.

Todos os animais foram alojados individualmente, em tie-stall, aproximadamente 57 dias antes da data prevista de parto. Os animais foram alimentados com dietas completas ad libitum, divididos nos seguintes tratamentos: energia controlada; alta energia (150% da energia requerida) e intermediária energia (mesma dieta do grupo com energia controlada, nos primeiros 28 dias do pré-parto, e dieta com 125% da energia requerida, nos 28 dias antes da data prevista de parto).

Ao avaliarem o consumo de MS no pós-parto, os autores similaridade entre os tratamentos, com queda de consumo em todos os grupos após o parto, porém, animais alimentados com energia controlada apresentaram queda de consumo mais suave quando comparada aos animais dos demais grupos, mantendo o consumo mais constante durante o período de transição. Para a produção de leite, nenhuma das dietas alterou a produção dos animais, e a maior produção de gordura no leite dos animais alimentados com alta energia pode estar ligada a maior mobilização de gordura corporal dos mesmos nas primeiras semanas de lactação.

 

Fonte: Arquivo pessoal

 

Segundo os autores, animais alimentados com alta energia (150%) apresentaram maiores concentrações de ácidos graxos não esterificados e de beta-hidroxibutirato no pós-parto imediato, indicando severo BEN nesse grupo e maior hipercetonemia. Os animais alimentados com dieta intermediária apresentaram dados que reduzem um pouco alguns dos efeitos negativos verificados pela dieta de alta energia.

Nesse contexto, os autores concluíram que os animais alimentados com dietas com alta e intermediária energia apresentaram maiores incidências de hipercetonemia e verificaram que diferentes planos de energia no pré-parto não alterou a produção de leite e o consumo de matéria seca dos animais. Segundo os autores, a dieta com energia controlada no pré-parto é a mais indicada, por minimizar o balanço energético negativo do pós-parto e por prevenir os possíveis efeitos de hipercetonemia.

 

Referência: MANN, S. et al. Dry period plane of energy: Effects on feed intake, energy balance, milk production, and composition in transition dairy cows. Journal of dairy science, v. 98, n. 5, p. 3366-3382, 2015.

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Sobre o autor

Website.: www.facebook.com/rafaelazevedo19

Zootecnista formado pela Universidade Federal de Minas Gerais. Mestre em Ciências Agrárias pelo programa de pós-graduação em Ciências Agrárias da Universidade Federal de Minas Gerais. Foi integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas em Nutrição Animal da UFMG (GENA), onde desenvolveu atividades de pesquisa em avaliação de alimentos para ruminantes e de desempenho de bezerros e bezerras leiteiras em diferentes sistemas de aleitamento. Atualmente é doutorando do programa de Zootecnia da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais, área de Produção Animal, sub-área Ruminantes, desenvolvendo pesquisas com aumento do teor de sólidos totais do leite e o seu impacto sob o desempenho, desenvolvimento e composição de ganho de bezerros leiteiros.

Contato: (31) 9453-6228
Belo Horizonte - Minas Gerais

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