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Camila Flávia de Assis Lage
Médica Veterinária (UFMG) – Mestranda em Zootecnia (UFMG)
Rafael Alves de Azevedo
Zootecnista (UFMG) – Mestre em Ciência Agrárias (UFMG) – Doutorando em Zootecnia (UFMG)

 

A utilização de ferramentas para acompanhar o crescimento de novilhas leiteiras deve ser explorada para avaliar a eficiência do programa de recria uma vez que pode detectar falhas no crescimento desses animais, o que pode acarretar em problemas futuros como: atraso na idade ao primeiro parto, aumento na taxa de descarte de animais, dificuldade de parto, perda de produção de leite, aumento na mortalidade, entre outros.
O peso corporal (PC) até certa idade é o critério mais comumente utilizado para avaliar o crescimento das novilhas. O método mais acurado para se determina-lo é a utilização de balança devidamente calibrada. Porém, o tempo e o trabalho envolvidos na movimentação de novilhas o torna pouco prático para empregar na rotina da fazenda e a avaliação do PC por utilização de fita de pesagem pode ser utilizada para predizer com acurácia esta variável, devendo ser utilizada no contorno do perímetro torácico do animal (Figura 1).

FIGURA 1 – Utilização de fita de pesagem para aferimento do peso corporal dos animais 
(FIGURA 1 – Utilização de fita de pesagem para aferimento do peso corporal dos animais)

 

A taxa de ganho de peso corporal (GPC) ideal para as novilhas depende das metas de criação de cada fazenda. Porém, quanto maior a idade ao primeiro parto, maior o custo com a fase de recria. Alguns estudos sugerem que GPC acima de 900 g/dia para raças de grande porte podem comprometer a produção de leite futura desses animais. Porém, estudos mais recentes demonstram que mais importante do que o GPC é a relação entre peso e altura dos animais, relacionada com a nutrição adequada, gerando aporte de proteína suficiente para o crescimento da novilha.

Outra informação importante fornecida pelo monitoramento do PC dos animais é a média de PC de um animal adulto do rebanho. Essa informação é muito importante para adequar o peso a inseminação na propriedade e monitorar o PC ao primeiro parto, garantindo que os animais sejam inseminados com 60% do PC de um animal adulto e cheguem ao primeiro parto com 80-85% do PC de um animal adulto.
O gráfico de crescimento (Figura 2) representa uma ferramenta que pode ser utilizada para comparar a altura e o PC de novilhas em relação a uma curva padrão e assim, determinar se a alimentação e outras práticas de manejo estão adequadas ou se estas devem ser ajustadas durante algumas fases do período de recria uma vez que em qualquer sistema de manejo (pastejo, confinamento), é sempre um desafio acompanhar e ajustar o desempenho das novilhas.

(FIGURA 2 - Peso corporal e altura de animais de raças grandes e pequenas em diferentes faixas etárias. Fonte (Adaptado): http://babcock.wisc.edu/sites/default/files/de_images/P-Fig35_1_pt.gif)

 

Porém, o PC não deve ser o único critério a ser utilizado, pois quando o analisamos de forma isolada, o mesmo não reflete o status nutricional da novilha. Quando a avaliação de PC é acompanha por medidas de crescimento ósseo, como a altura na cernelha (AC), a avaliação do desenvolvimento da novilha é mais segura e completa. A AC irá refletir o crescimento em estrutura (crescimento ósseo), enquanto que o PC reflete o crescimento de órgãos, músculos e tecido adiposo (gordura).
A cernelha é considerada o ponto mais alto na linha dorsal na base do pescoço, localizada entre as paletas do animal. Para medição, a régua deve ser colocada próxima aos membros anteriores da novilha (logo a frente de onde se coloca a fita métrica para medir perímetro torácico). Um nível pode ser utilizado para assegurar que a parte ajustável da régua, a qual é colocada sobre a cernelha, ficando sempre paralela ao piso no momento da avaliação (Figura 3). 

(FIGURA 3 – Utilização de régua simples e ajustável que pode ser usada para avaliar altura na cernelha)

O escore de condição corporal (ECC) também pode ser utilizado para avaliar o programa de alimentação da recria. Esta medida avalia a quantidade de reserva corporal estocada em tecido adiposo (Figura 4). Assim, como a AC, o ECC ajuda a caracterizar o crescimento corporal como um todo, associando crescimento esquelético (ósseo e muscular) e adiposo. Sendo assim, a condição corporal deve ser monitorada para assegurar que o desenvolvimento corporal seja compatível com o desenvolvimento ósseo ou estrutura.

(Figura 4- Escore de condição corporal desejada em diferentes escalas de 1 (muito magra) a 5 (obesa). Fonte (Adaptado): http://wm.agripoint.com.br/imagens/banco/34639.jpg)

Avaliações múltiplas do PC, AC e ECC em vários momentos durante a recria irão permitir ao produtor monitorar fases específicas (período da desmama, crescimento pré-puberal, etc.). Infelizmente, a maioria das propriedades ainda não tem instalações para avaliar estas variáveis de maneira prática e fácil, porém, isso pode ser feito em dias em que o animal já está contido (nascimento, desmama, descorna dias de pesagem e inseminação).
A adoção dessas práticas de manejo irá permitir a detecção de falhas como sub ou supercondicionamento e baixa estatura dos animais devido a erros de dieta, entre outros.
 

 

Publicado em Manejos

Paresia bovina do parto, ou também conhecida como Febre do leite ou Hipercalcemia puerperal. A paresia bovina acomete vacas de alta produção leiteira, animais da raça Jersey são mais acometidos, ocorre nas primeiras 48 horas antes do parto até 72 horas pós-parto, a incidência aumenta com a idade e raramente acometa vacas e corte.

Os sinais clínicos são divididos em 3 estágios:

1° estágio animal em pé: apresenta hipersensibilidade e excitabilidade, movimentos pendulares de cabeça, inquietação, arrasta os pés.

2° estágio vai de 4 a 8 horas após os primeiros sintomas: animal perde a capacidade de ficar em estação (decúbito esternal), depressão, anorexia (emagrecimento), hipotermia (extremidades frias), estase gastrintestinal (não defeca), pode apresentar retenção de placenta e pupilas dilatadas.

3° estágio acima de 8 horas é irreversível, ocorre perda de consciência, decúbito lateral (animal deitado), ausência de movimentos ruminais e timpanismo.

 

Fisiopatologia:

A paralisia ocorre por que o cálcio (Ca++) não está adequadamente disponível na junção neuro-muscular (responsável pela liberação de acetilcolina) devido a um aumento súbito de demanda que vem aumentando nos últimos 60 dias de prenhes (15 a 20g/dia). O colostro para ser formado consome 2,2g de cálcio por litro produzido, além do colostro a própria produção de leite para o Bezerro consome 1,3g de Ca++ por litro produzido.

 

O total de Ca++ circulante está em torno de 70 a 80g/dia, portanto este animal apresenta um déficit diário de Cálcio, levando o mesmo a utilizar Ca++ de suas reservas (principalmente nos ossos).

 

Para utilizar suas reservas, a Paratireóide libera Paratormônios (PTH) e este nos rins libera Vitamina D para reabsorção de Ca++ renal. Ao mesmo tempo o PTH estimula a tireóide a produzir calcitonina que é a responsável pela atividade osteoclástica (retirada de Ca++ dos ossos)

 

Simultaneamente à perda de cálcio o fósforo pode ser perdido pelo leite ou não absorvido pelo intestino (ausência dos movimentos ruminais) e a hipofosfatemia (diminuição dos níveis de fosforo) aumenta a paralisia flácida.

 

O animal apresentará também um quadro de hipermagnesemia (diminuição dos níveis de magnésio) que irá atuar na degradação da acetilcolina e isto irá intensificar ainda mais a paralisia flácida.

 

Tratamento:

  • Borogluconato de cálcio
  • Atropina para diminuir efeitos deletérios do cálcio. No dia seguinte administrar metade da dose do dia anterior para evitar recidivas.
  • Pode-se administrar corticoides (dão estabilidade à membrana celular)
  • A resposta à terapia é rápida à defecação.

 

Prevenção:

  • Diminuir a administração de cálcio da ração no terço final da gestação.
Publicado em Enfermidades

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