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“SHUNT” - Desvio Portossistêmico em Cães e Gatos clubedosanimais.com.br

“SHUNT” - Desvio Portossistêmico em Cães e Gatos

O fígado é um órgão essencial para o organismo e realiza muitas funções de extrema importância para a sobrevivência. Possui grande capacidade de reserva e regeneração. Suas funções incluem participação no metabolismo dos carboidratos, das proteínas, dos lipídeos, das vitaminas, e dos hormônios endócrinos. Tem papel importante no controle e manutenção da glicemia. Também participa dos processos de digestão, principalmente digestão de lipídeos. Sintetiza a bile e ácidos biliares que são essenciais para hidrólise da gordura da dieta e para absorção intestinal de ácidos gordurosos e outros lipídios, incluindo vitaminas lipossolúveis. Excreta catabólitos e diversas substâncias tóxicas.

O shunt portossistêmico (PSS) são comunicações vasculares únicas ou múltiplas entre a circulação sistêmica e a circulação portal, que permite que o sangue portal chegue ao sistema circulatório sem antes passar pela metabolização hepática. É a anomalia mais comum do sistema hepatobiliar e a causa mais freqüente de encefalopatia hepática (HE) em cães e gatos. Já nos gatos embora também acometa Persas e Himalaios, não há predisposição para raça. A idade é pista diagnóstica, porque muitos animais apresentam sinais por volta de seis meses de idade.

 Os PSS podem ser adquiridos ou congênitos e também podem ser classificados como intra- hepático, localizado dentro do fígado, ou extra-hepático, localizado fora do parênquima hepático. Acomete mais as raças puras do que as mestiças nos cães. PSS intra - hepáticos são geralmente encontrados nos cães de raças de grande porte e gigantes, enquanto que os extra - hepáticos são comuns em raças de pequeno porte.

 Os principais sinais clínicos são freqüência cardíaca baixa, perda de peso, febre e intolerância a anestésicos ou tranqüilizantes. A disfunção neurológica ocorre na grande maioria dos animais e inclui letargia, depressão, ataxia. Nos acometimentos mais graves encontra-se ainda alterações no sistema nervoso central, gastro-intestinal e urinário. Quando há afecção cerebral difusa ocorre simultaneamente debilidade episódica, como ataxia, andar em círculos, alterações comportamentais, cegueira, convulsões e coma. Sinais gastrointestinais incluem vômitos, diarréia, anorexia e ptialismo, sendo o ptialismo o sinal mais comum em gatos. Os sintomas relacionados com o trato urinário incluem poliúria, estrangúria, hematúria, disúria, obstrução uretral e formação de cristais de urato de amônia na urina. Os animais podem ter ainda polidipsia e poliúria.

 O diagnóstico definitivo deve ser realizado através da somatória quando possível e necessário do exame físico, laboratorial, radiografia contrastada, cintilografia porto-retal, ultra-sonografia e/ou laparotomia exploratória. Achados laboratoriais de rotina hematológica são microcitose (sem causa conhecida), hemácias em “alvo”, pecilocitose (gatos) e anemia arregenerativa leve. Na urinálise pode-se observar isostenúria ou hipostenúria em cães com poliúria e polidipsia e os cristais de biurato de amônio são achados comuns sendo a pista mais importante para hepatopatias em cães e gatos. Os testes bioquímicos revelam hipoproteinemia, diminuição de nitrogênio uréico sérico (BUNs), hipoalbuminemia, hipoglobulinemia, hipocolesterolemia, hipoglicemia, pequeno aumento de ALT e FA. A função hepática pode ser avaliada também através do teste de ácidos biliares séricos (ABS) ou através do teste de tolerância à amônia. Pode-se realizar radiografias abdominais exploratórias para avaliar a possibilidade de microhepatia, presença de  cálculos urinários ou para investigar outras causas de sinais gastrointestinais. A ultrassonografia e a cintilografia fornecem informações sobre a presença, a localização e o tipo de DPS. A ultra-sonografia detecta de maneira mais confiável os PSS intra-hepáticos do que os extra-hepáticos, o fígado normalmente aparece pequeno, apresenta hipovascularidade e o vaso do desvio pode ser identificado e na avaliação dos rins e da bexiga podem-se encontrar cálculos.

O tratamento clínico se baseia no uso de antibióticos, lactulose e uma dieta com baixo teor de proteína. A ligação cirúrgica tem como objetivo a ligação total, mas frequentemente atinge-se apenas a ligação parcial por motivo de segurança, devido a risco de hipertensão portal. O prognóstico para os animais submetidos à ligação cirúrgica total e que sobrevivem ao pós- cirúrgico imediato é excelente, ocorrendo melhora de 70 a 80% nos sinais clínicos. Nos casos de ligação parcial o prognóstico não é tão bom, os sinais clínicos podem desaparecer nos primeiros anos, mas cerca de 40 a 50% reaparecem com os sinais. O acompanhamento pós-cirúrgico deve ser feito por três anos.

 

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Sobre o autor

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Graduada pela Faculdade Multivix, Castelo/ES. Atua como plantonista nas áreas de clínica e cirurgia de pequenos animais.

CRMV: 01970 - VP / ES

Contato: (28) 99902-8139 / (28) 99251-1942
Itapemirim - Espírito Santo

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