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As leishmanioses são doenças infecto-parasitárias que acometem o homem, causadas por várias espécies de protozoários do gênero Leishmania. A doença pode apresentar diferentes formas clínicas, dependendo da espécie de Leishmania envolvida e da relação do parasita com seu hospedeiro.

O gênero Leishmania compreende protozoários parasitas, com um ciclo de vida digenético (heteroxênico), vivendo alternadamente em hospedeiros vertebrados e insetos vetores, estes últimos sendo responsáveis pela transmissão dos parasitas de um mamífero a outro. Nos hospedeiros mamíferos, representados na natureza por várias ordens e espécies, os parasitas assumem a forma amastigota, arredondada e imóvel, que se multiplica obrigatoriamente dentro de células do sistema monocítico fagocitário. À medida que as formas amastigotas vão se multiplicando, os macrófagos se rompem liberando parasitas que são fagocitados por outros macrófagos. Todas as espécies do gênero são transmitidas pela picada de fêmeas infectadas de dípteros da sub-família Phlebotominae, pertencentes aos gêneros Lutzomyia – no Novo Mundo, e Phlebotomus – no Velho Mundo. Nos flebotomíneos as leishmânias vivem no meio extracelular, na luz do trato digestivo. Ali, as formas amastigotas, ingeridas durante o repasto sangüíneo, se diferenciam em formas flageladas, morfológica e bioquimicamente distintas das amastigotas, sendo posteriormente inoculadas na pele dos mamíferos durante a picada.

Com raras exceções, as leishmanioses constituem zoonoses de animais silvestres, e mais raramente domésticos, incluindo marsupiais, desdentados, carnívoros e mesmo primatas. O homem representa hospedeiro acidental e parece não ter um papel importante na manutenção dos parasitas na natureza.

 

Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA)

A Leishmaniose Tegumentar Americana permanence endêmica em vastas áreas da América Latina. Os agentes causadores da doença são a Leishmania(Viannia) braziliensis, Leishmania(Leishmaniamexicana), Leishmania(Viannia) panamensis, e outras espécies relacionadas. A apresentação clínica da doença varia dentro de um espectro amplo, incluindo úlceras cutâneas múltiplas ou única, leishmaniose cutânea difusa e lesões mucosas. Os principais reservatórios da Leishmania(Viannia) braziliensis e da Leishmania(Viannia) spp. são os pequenos roedores silvestres. A doença acomete mais freqüentemente os trabalhadores que invadem as florestas tropicais ou moram próximo a elas. O período de incubação varia de duas semanas a vários meses. As lesões cutâneas constituem úlceras rasas, circulares com bordas elevadas e bem definidas e com o assoalho da úlcera de aspecto granular. Nas infecções pela Leishmania(Viannia) braziliensis a linfoadenopatia regional geralmente precede o surgimento das úlcerações por uma a doze semanas. O diagnóstico definitivo depende da identificação de amastigotas em tecido ou promastigotas em meios de cultura. Os anticorpos anti-leishmania podem ser identificados no soro utilizando-se as técnicas de ELISA, imunofluorescência e testes de aglutinação, mas os títulos revelam-se baixos na maioria dos casos. A intradermorreação de Montenegro torna-se positiva durante a evolução da doença. Os antimoniais pentavalentes continuam sendo as drogas de escolha no tratamento da leishmaniose. A imunoterapia e a imunoprofilaxia constituem alternativas promissoras no tratamento e profilaxia da leishmaniose tegumentar americana.

 

2.1.2 Leishmaniose Visceral (LV)

A Leishmaniose Visceral (LV), ou calazar, é uma doença crônica grave, potencialmente fatal para o homem, cuja letalidade pode alcançar 10% quando não se institui o tratamento adequado. É causada por espécies do gênero Leishmania, pertencentes ao complexo Leishmania (Leishmania) donovani. No Brasil, o agente etiológico é a  Leishmania chagasi, espécie semelhante à  Leishmania infantum encontrada em alguns países do Mediterrâneo e da Ásia. Existe uma grande polêmica em torno da origem da leishmaniose visceral no Novo Mundo – se ela foi introduzida recentemente, na época da colonização européia e causada pela espécie Leishmania infantum, ou há vários milhões de anos, juntamente com a introdução dos canídeos, devendo a espécie ser classificada como Leishmania chagasi.  Entretanto, estudos utilizando técnicas bioquímicas e moleculares consideram a Leishmania chagasi e a Leishmania infantum uma única espécie e aceitam a hipótese de origem recente nas Américas.

A ocorrência da doença em uma determinada área depende basicamente da presença do vetor susceptível e de um hospedeiro/reservatório igualmente susceptível. A possibilidade de que o homem, principalmente crianças desnutridas, venha em alguns casos a ser fonte de infecção pode conduzir a um aumento na complexidade da transmissão da leishmaniose visceral.

Os hospedeiros silvestres da chagasi até agora conhecidos são as raposas e os marsupiais. O fato destes animais possuírem hábitos sinantrópicos poderia promover a ligação entre os ciclos silvestre e doméstico. No ambiente doméstico, o cão é considerado um importante hospedeiro e fonte de infecção para os vetores, sendo um dos alvos nas estratégias de controle. Entretanto, para se determinar o papel destes animais na manutenção da transmissão da leishmaniose visceral, são necessários maiores estudos.

O modo de transmissão da leishmaniose visceral é através da picada de fêmeas de insetos, que podem pertencer a várias espécies de flebotomíneos, dependendo da localização geográfica.

Ao realizar a hematofagia, o inseto vetor pode ingerir parasitos que estejam na pele ou no sangue de um animal infectado. Estes parasitos que se encontram na forma amastigota, transformam-se em promastigotas no intestino do inseto, migrando para sua probóscida, quando então, podem ser inoculadas no próximo animal que for picado.

Com a expansão da área de abrangência da doença e o aumento significativo no número de casos, a leishmaniose visceralpassou a ser considerada pela Organização Mundial da Saúde uma das prioridades dentre as doenças tropicais. Atualmente, a leishmaniose visceralé endêmica em 62 países, com um total estimado de 200 milhões de pessoas sob risco de adquirirem a infecção. Aproximadamente 90% dos casos ocorrem em 5 países: Índia, Bangladesh, Nepal, Sudão e Brasil. A doença atinge principalmente as populações pobres desses países. Embora existam métodos de diagnóstico e tratamento específicos, grande parte da população não tem acesso a estes procedimentos, elevando os índices de mortalidade.

 

Ciclo Biológico das Leishmanioses

Durante o repasto sangüíneo sobre o hospedeiro infectado, são ingeridas formas amastigotas pela fêmea do flebotomíneo. Nas primeiras vinte e quatro horas as formas ingeridas, transformam-se em promastigotas, que se reproduzem rápida e intensamente através de divisão binária. Inicialmente, o sangue ingerido juntamente com as formas em divisão vão se localizar no intestino médio do inseto, protegidos pela matriz peritrófica onde permanecem durante 3 dias. Após esse tempo, ocorre a degeneração da matriz peritrófica e as formas promastigotas migram para o segmento anterior do tubo digestivo onde sofrem mais divisões e diferenciação tornando-se infectantes. Durante os próximos dias os parasitas migram para a região do esôfago, faringe e válvula estomodeal. A intensa multiplicação provoca uma obstrução mecânica, dificultando a ingestão de sangue pelo inseto (Lainson & Shaw, 1978). Após cada novo repasto sangüíneo o relaxamento dos músculos responsáveis pela sucção provoca o refluxo dos parasitas, infectando o novo hospedeiro. 

Ao serem inoculadas as formas promastigotas, ainda  no local de inoculação, são endocitadas pelos macrófagos. Dentro do macrófago, assumem a forma amastigota e, através de mecanismo de escape, passam a multiplicar-se por divisão binária até provocarem o rompimento da  célula, caindo no espaço intercelular, vindo a serem endocitadas por novos macrófagos e células do Sistema Fagocítico Mononuclear (S.F.M.). Assim, os  parasitas deixam a pele, sendo disseminados para o Sistema Fagocítico Mononuclear, provocando então  as lesões que vão caracterizar a doença. 

 

Antes de vacinar ou revacinar os seus cães e ou gatos, é preciso que o animal passe por uma anamnese e exames para confirmar que o animal seja soro negativo de leischimaniose. Para que o animal produza anticorpos e fique protegido, é necessário que esteja em boas condições de saúde e nutrição durante e após a vacinação. Não vacinar animais estressados, doentes, parasitados ou que apresentem carências nutricionais, pois sua capacidade de desenvolver resposta adequada fica prejudicada.

Publicado em Enfermidades

Os carrapatos afetam muito mais os cachorros do que os gatos porque estes tendem a retirá-los quando se limpam, a não ser que não consigam alcança-los. Os carrapatos enfiam as pinças sob a pele do animal e permanecem ali durante dias, enquanto sugam o sangue. Você vera uma praga encouraçada, pequena como um chumbinho, crescer como um balão, conforme for se enchendo.

No corpo de um animal, as partes com poucos pelos e difícil de alcançar, como orelhas, as axilas e entre os dedos, são os alvos preferidos dos carrapatos, mas eles podem ser encontrados em qualquer lugar. Na maior parte das vezes, o seu animal nem mesmo sentirá a picada. As picadas de carrapato quase nunca se infeccionam ou inflamam.

Existem alguns tipos de carrapatos que transmitem infecções aos seres humanos e aos animais, através de sua picada. No Brasil os mais conhecidos são: o carrapato-estrela e o carrapato vermelho do cão. O micuim, ou carrapato-pólvora, é a larva do carrapato-estrela, que, quando adulto pode ficar do tamanho de um feijão verde. O carrapato vermelho do cão, de cor marrom avermelhada, é considerado a espécie mais difundida em todo mundo e também pode parasitar o gato. Os carrapatos carregam seus próprios minúsculos parasitas (protozoários e bactérias), que podem causar doenças muito graves em animais e seres humanos, uma vez que penetram na corrente sanguínea. Dentre elas, as mais conhecidas no Brasil são: a febre maculosa (transmitida principalmente pelo carrapato estrela) a  babesiose canina e a erliquiose canina (transmitidas principalmente pelo carrapato vermelho do cão). É por isso que é tão importante remover os carrapatos do seu animal o quanto antes.

RETIRE O CARRAPATO – A retirada do carrapato pode ser feita com a aplicação tópica de produtos carrapaticidas ou manualmente. Na retirada manual, não use os dedos para retirar o carrapato, use uma pinça com ponta cega. Coloque luvas e tome cuidado para não esmagar o corpo do carrapato quando retira-lo, se você esmaga-lo algumas de suas partes infectadas poderão lhe transmitir doenças.

LIVRE-SE DO CARRAPATO – Jogue o carrapato em uma vasilha com álcool ou spray contra pulga.

CUIDADOS:

É bom lavar o local da picada com sabão e colocar um pouco de água oxigenada 10vol. Para remover qualquer resíduo do carrapato.

Quando se remove um carrapato, é normal que no local fique uma pequena saliência. Ela deve desaparecer em um ou dois dias. Se isso não acontecer, ou se ficar maior leve a um veterinário para avaliar.

Uma picada, de qualquer tipo de carrapato pode causar a paralisia de carrapato. Se o seu animal começar, repetidamente, a puxar suas patas traseiras ou tiver problema para se movimentar, leve-o imediatamente ao veterinário.

Para impedir que os carrapatos infestem seu animal, aplique um tratamento tópico contra carrapato, existem no mercado vários modelos de carrapaticidas.

- Lembre-se é sempre importante à avaliação de um médico veterinário.

Cuide bem do seu amiguinho!!

Publicado em Manejos
A brucelose é uma doença infecto contagiosa causada por bactérias do gênero Brucella. É uma zoonose de distribuição mundial, que gera importantes problemas sanitários e prejuízos econômicos para os produtores, e está disseminada por todo o território nacional. Os bovinos são os principais hospedeiros da Brucella abortus, conhecida também como mal de Bang, febre de malta ou aborto infeccioso, que também pode ser transmitida do animal para o homem.
 
A transmissão da brucelose para o homem ocorre através de contato direto com os animais ou quando há ingestão de leite não pasteurizado ou seus derivados, carne mal passada ou seus subprodutos. As bactérias da brucelose podem ser aspiradas ou penetrar no organismo através de feridas; quando ingeridas, invadem a mucosa intestinal. Outra forma de transmissão é o contato com o animal através do manejo em fazendas, ou em abatedouros.
 
Já nos bovinos, a infecção acontece por via oral aerógena. Uma grande quantidade da Brucella abortus é eliminada durante o aborto e partos de animais infectados, juntamente com a elevada resistência deste patógeno no meio ambiente, torna-se a principal via de contaminação. Outros hábitos, como os de cheirar e lamber o bezerro após o nascimento auxiliam na transmissão da bactéria. A transmissão através do coito é pequena, pois a vagina representa uma barreira que dificulta a infecção. Já a transmissão pela inseminação artificial é grande, pois o sêmen contaminado é depositado diretamente no útero da vaca, não havendo a barreira (vagina).
 
Quando a contaminação se dá por contato direto com fetos abortados, restos placentários e descarga uterina há a penetração da bactéria pela mucosa: nasofaringe, conjuntival ou genital e pele íntegra. Após esta penetração, o agente cai na corrente sanguínea sendo transportado para diversos tecidos e órgãos do corpo do animal, multiplicando-se.
 
O curso da doença depende do estágio fisiológico do animal. Animais que não chegaram à puberdade ainda, demonstram ser mais resistentes à infecção. Caso o animal na esteja gestante, esta bactéria provavelmente infectará tecidos linfóides e glândula mamária. Quando o animal torna-se gestante, as bactérias migrar para o útero, provocando o aborto que ocorre na primeira gestação após a infecção, sendo muito menos freqüente na segunda e rara na terceira.
 
Os sinais clínicos estão relacionados a problemas reprodutivos, como: aborto no terço final da gestação, natimortos, nascimentos de bezerros fracos e corrimentos vaginais. E também é comum haver retenção de placenta e infertilidade temporária ou permanente. Já nos machos, pode causar orquite (inflamação do testículo), levando à infertilidade no animal devido à diminuição da qualidade do espermatozóides. 
 
O método mais comum de diagnóstico para a brucelose são as provas de aglutinação de soro sanguíneo, podendo ser usadas para detectar anticorpos no leite, no soro e no plasma seminal. As provas de muco vaginal com aglutininas contra Brucella podem ser relevantes. Os materiais de eleição para a realização do diagnóstico bacteriológico são: membranas fetais, fetos abortados, leite, swabsvaginais e sêmen. Estes matérias devem ser inoculados em meios de cultura que contenham antibióticos que não inibam o crescimento da Brucella sp.
 
Um programa de controle e erradicação desta doença deve contar com práticas que envolvam a identificação a e eliminação dos animais que estão infectados e também, com a indenização dos proprietários para que possam repor os animais eliminados, sendo que esta reposição deve ser feita, de preferência, utilizando-se terneiras, fêmeas jovens não prenhes, vacinadas ou provenientes de rebanhos livres. O controle é feito através da vacinação, geralmente utilizando-se a vacina de Brucella abortus viva, variedade 19, protegendo os animais sadios e eliminando, aos poucos, os animais doentes.
 
Existe hoje, o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal (PNCEBT) foi instituído em 2001 pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) com o objetivo de diminuir o impacto negativo dessas zoonoses na saúde humana e animal, além de promover a competitividade da pecuária nacional. O PNCEBT introduziu a vacinação obrigatória contra a brucelose bovina e bubalina em todo o território nacional e definiu uma estratégia de certificação de propriedades livres ou monitoradas. 
 
Saiba mais sofre essa enfermidade na série do programa Valeu Valléu
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