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Exigências nutricionais para gatos solofoods

Exigências nutricionais para gatos

Água

A água é o nutriente mais importante em termos de capacidade de sobrevivência. Os animais podem sobreviver durante semanas sem alimentos, utilizando gordura e músculos corpóreos para produção de energia, mas a perda de somente 10% de água corpórea resulta em morte.

É o nutriente em maior proporção no corpo dos animais. Em geral, o corpo contém de 70 a 80% de água.

Os gatos parecem ser menos sensíveis ao estimulo de sede e podem sobreviver com menos água que os cães.

Na natureza, eles bebiam água corrente, mas não é uma boa ideia habituar o gato a beber água da torneira, porque se ele aprender a fazer isso, quando você não quiser ou não estiver lá para abrir a torneira para ele, ele não vai consumir água de outra maneira, levando a sérios riscos de saúde. Além de que, deixar a torneira aberta leva a muito desperdício de água para o mundo atual. Uma solução para isso seria uma fonte de água, por exemplo, daquelas feitas para enfeitar a casa mesmo ou até uma improvisada feita com bomba de aquário para que satisfaçamos as duas vias: o gato feliz e bebendo água suficiente e o não desperdício.

Proteína

Os gatos têm uma exigência mínima maior de proteína e exigência elevada de aminoácidos essenciais. Dependem das proteínas não somente para finalidades estruturais e sintéticas mas também para geração de energia. E eles continuaram a usar a proteína para a produção de energia mesmo se esta não estiver em quantidades adequadas na dieta. Se não for inclusa na dieta, serão utilizados os músculos do organismo e os tecidos de órgãos.

A recomendação mínima diária de proteína pela National Research Council (NRC) é de 240 g de proteína/kg para as dietas de filhotes em crescimento e 140 g de proteína/kg para as dietas de gatos adultos. Deve-se lembrar que essas são as recomendações mínimas e pressupõem que a dieta contenha uma fonte de proteína altamente digerível.

Taurina

É um aminoácido essencial que pode ser sintetizado pela maioria dos mamíferos a partir da metionina e da cistina.

Os gatos têm uma capacidade muito limitada para sintetizar a taurina, além de que esta é perdida continuamente pelo trato gastrointestinal por causa da liberação da bile e portanto, possuem maior necessidade dela na dieta.

A taurina é necessária para a união de ácidos biliares, que ajudam a digestão de gorduras, para a função normal da retina (sua deficiência pode levar a cegueira irreversível), ajuda a regular o fluxo de cálcio que entra e sai das células, consequentemente atuando sobre o músculo cardíaco (sendo a sua ausência na dieta diretamente relacionada com uma doença chamada miocardiopatia dilatada felina), além do colaborar com o bom funcionamento dos sistemas nervoso, reprodutivo e imunológico. Também oferece proteção contra radicais livres.

É encontrada na maioria dos tecidos animais e se concentra nos músculos. Normalmente é ausente na maioria dos vegetais, ou, quando presente, em quantidades mínimas. Portanto, o consumo de dietas contendo níveis elevados de produtos vegetais e grão de cereais pode não prover quantidades suficientes de taurina, mesmo se produtos de origem animal foram incluídos na dieta.

As alterações pela deficiência de taurina podem ser observadas em praticamente todos os sistemas orgânicos do gato. Os sinais clínicos de deficiência de taurina somente aparecem depois de períodos prolongados de depleção (de 5 meses a 2 anos).

Metionina e cistina

Apenas a metionina é considerada um aminoácido essencial. No entanto, se a cistina for fornecida em quantidade suficiente, ela ajuda a liberar metionina para outras funções. A cistina pode substituir até metade da necessidade de metionina dos gatos.

A cistina é necessária para a produção de pelos e felinina (aminoácido encontrado na urina do gato, que acredita-se ser utilizada para a marcação territorial).

Deficiências nutricionais são possíveis em gatos alimentados com dietas caseiras à base de vegetais ou dietas humanas.

Os sinais clínicos de deficiência de metionina incluem perda de pelo, pouco crescimento e dermatite com crostas nas junções muco cutâneas (onde há o encontro da mucosa com a pele) de boca e nariz, além de pelos secos e quebradiços.

Arginina

A arginina também é um aminoácido essencial para os gatos.

Está presente em tecidos animais, tais como pele, tecido muscular e pelos.

A arginina intervém no ciclo da ureia, molécula que permite a eliminação de dejetos tóxicos no organismo. O excesso de amônia no sangue é tóxico para o organismo e deve ser transformada em uma forma menos tóxica para a sua posterior excreção. Os gatos, assim como outros mamíferos, transformam a amônia em ureia.

Na ausência de arginina na alimentação além de outros aminoácidos essenciais, num período de 1 a 3 horas, o animal começa a desenvolver sinais de intoxicação amoniacal (hiperamonemia – aumento de amônia no sangue). Os sinais incluem hipersalivação, êmese (vômito) e problemas nervosos. Dependendo da evolução, pode levar a morte.

A suplementação com arginina tem demonstrado também poder exercer efeitos benéficos em doenças cardíacas ou renais.

Vitamina A

A vitamina A pode ser encontrada em alguns tecidos de origem animal, sendo que as concentrações mais altas são encontradas no fígado e nos óleos de fígado de peixe, como também no leite e na gema de ovos.

As plantas não contem vitamina A, mas contém uma provitamina na forma de carotenos, sendo o betacaroteno o que tem maior atividade de vitamina A se comparado com outros, mas ainda assim possui somente metade da potência da vitamina A pura.

Ela é necessária para o funcionamento normal da visão, crescimento de ossos, reprodução, desenvolvimento dentário, manutenção do tecido epitelial, inclusive das membranas mucosas que revestem os tratos respiratórios e gastrointestinal, além de ajudar a combater a seborreia e a caspa que se forma depois de um prurido (coceira).

Sua deficiência causa problemas nos olhos (diminuição da visão noturna, opacificação da córnea, secura da conjuntiva), problemas de pele (pele seca, atrofia das glândulas sebáceas), anomalias da reprodução e maior sensibilidade à infecções e complicações pulmonares. O excesso de vitamina A (hipervitaminose) também é prejudicial ao organismo, levando a problemas nas articulações e na reprodução.

Diferentemente dos cães e da maioria dos outros animais, os gatos requerem vitamina A pré formada. Eles não possuem a enzima intestinal capaz de converter o betacaroteno em vitamina A ativa. A vitamina A pré formada pode ser encontrada somente em tecidos animais.

Uma vez que a vitamina A é armazenada no fígado, as deficiências demoram a se desenvolver e somente são observadas em gatos com insuficiência hepática ou doenças gastrointestinais graves que causam a má absorção de gorduras.

Ácido Araquidônico

A gordura da dieta é uma fonte de ácido graxo essencial, que são o ácido linoleico (ômega 6), ácido alfa-linoleico (ômega-3) e ácido araquidônico (ômega 6).

São essenciais porque o organismo não é capaz de sintetizá-los.

Na maioria dos animais, o ácido alfa-linoleico e o araquidônico podem ser sintetizados a partir do ácido linoleico. Se a dieta contiver uma quantidade adequada de ácido linoleico não haverá necessidade, na dieta, de ácido alfa-linoleico e araquidônico. A exceção é o gato, que requer uma fonte de ácido araquidônico na dieta, não importando a quantidade de ácido linoleico nela presente, pois ele possui baixa atividade da enzima responsável pela sintetização.

O ácido araquidônico somente pode ser encontrado em gorduras animais, isso é especialmente importante para a dieta de gatos. Devido a necessidade de ácido araquidônico, os gatos não podem ser alimentados com uma dieta vegetariana balanceada, pois as gorduras animais são a única fonte desse ácido. Alguns óleos de peixe são ricos em ácido araquidônico, mas ele está presente em pequenas quantidades na gordura de aves domésticas e de carne de porco.

A adição de ácido araquidônico (na prática, adição de gorduras) a uma ração que anteriormente não o contivesse aumenta a eficiência alimentar e melhora a condição da pele, graças a redução da perda de água através da pele. Isso produz uma pelagem mais brilhante e lustrosa, com menor descamação cutânea. As deficiências dietéticas do ácido podem causar taxa reduzida de crescimento e perda de peso, falhas de ovulação e lactação, degeneração testicular, cicatrização insuficiente de feridas, pelagem seca e sem brilho, além da perda de pelos, descamação cutânea e modificação na camada lipídica da pele, o que pode predispor os animais a infecções cutâneas.

Para os animais, o mais importante é que a adição de gorduras aumenta a palatabilidade e melhoram a textura das dietas. O problema seria: à medida que o conteúdo de gordura aumenta na dieta, também aumentam a densidade calórica e a palatabilidade, podendo levar facilmente a um consumo excessivo, e por sua vez, causar obesidade.

Outras vitaminas

Os gatos precisam também de uma fonte dietética de vitamina D, já que esta tem função particular na absorção intestinal e retenção e deposição óssea de cálcio. Semelhante a vitamina A, a deficiência é rara e demora a se desenvolver.

Eles também necessitam de quantidades elevadas de muitas vitaminas B na dieta, inclusive tiamina, niacina, piridoxina (vitamina B6) e, em certas circunstancias, cobalamina (vitamina B12). Como a maioria das vitaminas B não é armazenada (exceto a cobalamina, armazenada no fígado), é preciso uma fonte dietética de disponibilidade contínua para prevenir as deficiências.

As deficiências são raras em gatos que se alimentam de dietas apropriadas, pois cada uma das vitaminas B é encontrada em altas concentrações em tecidos animais.

A L-carnitina é um nutriente que fornece energia para as células, mas não é essencial para os animais saudáveis que recebem uma alimentação adequada, já que eles podem sintetizar as quantidades de que necessitam.

  • Nunca administre qualquer tratamento sem consultar um profissional da área. Esse site é meramente informativo e não oferecemos consultas gratuitas.
LINK:

Sobre o autor

Website.: gatalia.com.br

Graduada pela Universidade de Marília - UNIMAR. Atualmente cursando mestrado na área de Clínica Médica Veterinária na UNESP de Botucatu. Atua na área de clínica e comportamento de cães e gatos, com foco voltado para gatos.

 
CRMV: 34.988-SP
 
Contato: (14) 99684-0784
Botucatu - SP
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