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Carlos Eduardo Dorlass

Carlos Eduardo Dorlass

Formado pela universidade paulista UNIP, com pós graduação em clínica cirúrgica de tecidos moles pelo Instituto Qualittas. Atualmente cursando pós graduação em ortopedia na faculdade Anhembi Morumbi.

CRMV: 32.068 / SP

Contato: (11) 2203-4465
São Paulo - São Paulo

URL do site: http://www.facebook.com/carloseduardo.dorlass E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Com grande frequência atendemos pacientes onde os tutores relatam a ingestão de objetos, principalmente em cães mais jovens. Os objetos geralmente são: moedas, sacolas plásticas, ossos, linhas e pedras. A ocorrência é menor em felinos, mas nessa espécie ocorre uma maior prevalência de casos com linhas (barbantes).  

O local aonde o corpo estranho irá se alojar vai depender da estrutura/tamanho do objeto. Objetos pontiagudos e grandes podem se alojar diretamente no esôfago, enquanto objetos sem ponta e pequenos, podem passar para o estômago e intestino. Porém, pode ocorrer de objetos pequenos perfurantes atingirem estômago e/ou intestino, causando a perfuração desses órgãos.

A sintomatologia que o paciente expressa pode ser variada, pois irá depender do local e estrutura do corpo estranho.

Sintomas do Corpo Estranho Esofágico:

Animais com o corpo estranho esofágico apresentam inicialmente: regurgitação de comida não digerida logo após a sua ingestão, sialorréia e mímica de vômito. O apetite permanece. Com a piora do quadro apresentam: anorexia e depressão, podendo evoluir para dispnéia e desidratação grave.

Sintomas do Corpo Estranho Gástrico:

Pode ocorrer vômitos intermitentes, anorexia e desconforto/dor. Dependendo do objeto, pode ocorrer perfuração do estômago, ocasionando um peritonite e consequentemente, agravando a sintomatologia como, dor abdominal grave, pirexia, desidratação e depressão.

Sintomas do Corpo Estranho Intestinal:

Vai depender do objeto ingerido e a sua localização. A sintomatologia inicial geralmente inclui: Vômito, anorexia, letargia, diarreia, distensão e dor abdominal. Os objetos no “início” do intestino (porção proximal) causam vômitos persistentes e fezes pastosas. Objetos no “final” do intestino (porção distal) causam  vômitos, fezes pastosas antes que cessem por completo.  No caso de uma obstrução distal incompleta, os sintomas se tornam crônicos. No caso de uma perfuração intestinal, ocorre peritonite, causando pirexia e sinais de choque.

O diagnóstico presuntivo ocorre pelo histórico e exame físico, mas irá ocorrer de forma definitiva pelo exame de imagem, porém, em exames radiográficos, a visualização do corpo estranho vai depender da sua estrutura. Os objetos radiopacos (estruturas em que os raios não conseguem atravessar, que ficam brancos) necessitam apenas de uma radiografia simples, enquanto os objetos radiotransparentes (matéria que é transpassada pelos raios, que ficam escuros) necessitam de exame contrastado. Os objetos radiopacos são: metal, vidro e pedra. Os radiotransparentes são: tecidos, tufos de pelos, etc. No caso de corpo estranho esofágico e gástrico, a endoscopia é um excelente exame para encontrar o material estranho.

Tratamento para o Corpo Estranho Esofágico:

A remoção do corpo estranho esofágico deve ser imediata, pois quanto mais tempo permanecer no local, aumenta as chances de complicações, como: mudança de local, necrose da mucosa e perfuração.  Primeiramente, se possível, realizar a retirada através de endoscópio. Caso não seja possível a retirada com o endoscópio, deve-se empurrar o objeto para o estômago para posterior retirada. Caso não se faça uso de endoscópio, haverá indicação cirúrgica, no caso, uma esofagotomia.

Tratamento para o Corpo Estranho Gástrico:

Os corpos estranhos gástricos também podem ser removidos através de um endoscópio flexível. Os objetos que não podem ser removidos através de endoscopia devem ser retirados através de gastrotomia.

Tratamento para o Corpo Estranho Intestinal:

O corpo estranho intestinal deve ser retirado de maneira cirúrgica. Pode-se optar por uma simples enterotomia, que é apenas a abertura do segmento intestinal acometido para a retirada do objeto, ou em casos de perfuração e/ou necrose da parede intestinal, uma enterectomia (retirada do segmento acometido) e a sua anastomose (nova comunicação dos segmentos restantes).  

No caso do corpo estranho linear, onde os felinos são os mais acometidos, o objeto passa através do sistema gastrointestinal e se fixa em algum ponto, geralmente na cavidade oral (ao redor da língua) ou no piloro. Após ter chego ao intestino, a atividade peristáltica faz com que o intestino se torne pregueado e, ás vezes, o fio perfura o intestino em inúmeros locais, causando peritonite. A demora para a remoção cirúrgica pode resultar em óbito.

De forma alguma, ao visualizar o seu animal ingerir um objeto, tente removê-lo á força ou induzir o vômito, leve imediatamente para o Medico Veterinário.

A Dilatação Vólvulo Gástrico (DVG) é uma das enfermidades médico/cirúrgicas mais difíceis de serem tratadas no ambiente hospitalar, uma vez que provoca uma série de alterações fisiológicas, de forma rápida, que culminam no óbito do paciente.

Ocorre em cães de raças grandes e gigantes como Pastor Alemão, Labrador e que possuam o tórax profundo, como o Dogue Alemão, São Bernardo e Fila Brasileiro. Também pode ocorrer por uma fraqueza dos ligamentos que sustentam o estômago. Todo movimento que desencadeia uma mudança pendular no eixo do estômago pode predispor à torção e à dilatação. 

A dilatação refere-se à distensão que o estômago sofre por ar deglutido (aerofagia), possui líquido e ingesta, e pode estar relacionada a uma grande quantidade de alimento ingerido, de forma rápida, que pode ocupar demasiadamente o estômago. Na dilatação, os mecanismos para aliviar a pressão do estômago como eructação ou vômito, acabam falhando.

O vólvulo ocorre se a torção continuar sobre o eixo maior do estômago, obstruindo de forma completa o fluxo gástrico de líquido, alimento e gases. Como a saída de gases está bloqueada, a dilatação gástrica aumenta.

A distensão gástrica progressiva pressiona o sistema vascular, comprometendo o retorno sanguíneo para o coração, causando um choque hipovolêmico secundário a um processo obstrutivo. A dilatação do estômago também compromete o funcionamento do diafragma, a expansão pulmonar e a ventilação.  Com o bloqueio do sistema vascular, ocorre necrose da parede do estômago.

O diagnóstico ocorre pelo histórico fornecido pelo proprietário do animal, como inquietude, dor, mímica de vômito e dilatação abdominal aguda. Ocorre também pelos sinais de choque, como pulso filiforme, mucosas pálidas, desidratação, taquicardia e taquipnéia. A realização de exames de imagem pode ajudar no diagnóstico definitivo, porém, é apenas recomendado a realização do exame radiográfico após a estabilização do paciente.

No tratamento, deve-se inicialmente tratar o choque, ao mesmo tempo que deve-se realizar a descompressão do estômago. Deve ser realizada uma reposição volêmica emergencial através de fluidoterapia ao mesmo tempo que deve-se realizar a descompressão gástrica, inserindo  uma sonda orogástrica pelo esôfago do paciente, porém, dependendo do processo patológico, o conteúdo gástrico pode estar aprisionado no estômago e esse procedimento não obter sucesso. Agulhas de grosso calibre na região do estômago. Caso não seja possível ou não obtenha resultado, deve-se realizar uma gastrostomia temporária.

A cirurgia para essa síndrome consiste em reposicionar o estômago em sua posição anatômica original, realizar ressecção de possíveis regiões necrosadas na parede gástrica, realizar a retirada do baço (esplenectomia) caso esse tenha rotacionando junto com o estômago e/ou apresente focos de necrose e por fim, realizar o “aprisionamento” do estômago à parede abdominal (gastropexia), para evitar que esse estômago sofra uma torção novamente.

O fator decisivo para o tratamento e bom prognóstico dessa síndrome é a percepção do proprietário ao seu animal, uma vez que muitos animais são levados ás clínicas e/ou hospitais veterinários muito tardiamente, quando a chance de sucesso do tratamento é muito baixa. Esteja sempre atento na quantidade de alimento, evite atividades físicas/brincadeiras logo após uma alimentação e em caso de dúvidas, leve o seu animal para o Medico Veterinário.  

A hérnia de disco em cães ocorre de forma rotineira na clínica médica/cirúrgica. As herniações discais podem ser divididas em extrusões e protrusões discais. As extrusões discais, possuem sintomatologia aguda e é mais freqüente em animais de pequeno porte, como Dachshund, Shih Tzu e Lhasa Apso. As protrusões discais, possuem sintomatologia crônica, e ocorrem geralmente em animais de grande porte, como Pastor Alemão, Dogue Alemão e São Bernardo.

No caso das extrusões, os animais apresentam dor aguda e sintomatologia neurológica, mas o nível da sintomatologia vai depender da localização medular e quantidade de material herniado. Herniações em região cervical podem causar sintomatologia nos membros torácicos e/ou pélvicos. Herniações na região toracolombar causam sintomatologia de membros pélvicos, podendo causar distúrbios de micção e/ou defecação. As protrusões discais obedecem o mesmo padrão porém, ocorrem de forma crônica, ou seja, levam um certo tempo para que os sintomas apareçam.

Animais que apresentam o hábito de subir e descer de cama e sofá, e possuem o hábito de pular, são os que possuem grande possibilidade de extrusão discal. Outros fatores também podem predispor como: genética, ambiente, alimentação e exercícios vigorosos.    

A hérnia de disco possui tratamento medicamentoso, mas isso irá depender da localização medular, quantidade de material herniado e sintomatologia neurológica. Em casos graves, faz-se necessário uma abordagem cirúrgica.

Ao sinal de dor após algum exercício e/ou “arrastar” de algum membro, leve seu animal ao Médico Veterinário para que esse estabeleça um tratamento adequado e caso necessário, chame um especialista. 

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