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A leptospira é um gênero de espiroquetas. Todas as Leptospiras são membros da espécie Leptospira interrogans, embora diferentes classificações de espécies tenham sido propostas. Mais de 200 sorovares pertencentes a 23 sorogrupos de L. interrogans foram identificadas. Muitas Leptospiras estão adaptadas a hospedeiros mamíferos específicos. As Leptospiras não podem se replicar fora de um hospedeiro. A maioria dos sorovares replica-se nos rins de hospedeiros infectados e é eliminada na urina. Em climas quentes e úmidos, os microrganismos podem sobreviver por meses em água neutra a levemente alcalina ou solo saturado de urina. A eliminação prolongada de leptospiras do hospedeiro é responsável pela persistência da mesma no meio ambiente.

A deflagração da leptospirose canina e humana tem sido seguida por períodos de chuva forte e inundação. Estas deflagrações são provavelmente devidas às ótimas condições ambientais para a sobrevivência do organismo e a migração de mamíferos selvagens para dentro das áreas mais populosas.

 Em relação aos hospedeiros da leptospirose sabe-se que os cães são os hospedeiros do sorovar canicola e os ratos são do sorovar icterohaemorrhagiae.A incidência sorovar canicola é maior em cães não vacinados. Mas os cães são freqüentemente hospedeiros acidentais do sorovar icterohaemorrhagiae. No entanto a mais importante fonte de infecção para a leptospirose é o roedor, que pode exercer o papel de reservatório de Leptospiras e, além de manter o agente, o dissemina por meio da urina no ambiente. Porém, a transmissão da leptospirose pode ocorrer de forma direta ou indireta, sendo que a forma direta ocorre, geralmente, pelo contato com sangue e/ ou urina de animais doentes, por transmissão venérea, placentária ou a pele.

Segundo os aspectos patogênicos da Leptospira sp. o agente multiplica-se ativamente nos diferentes órgãos parenquimatosos, sangue, linfa e líquor, caracterizando o quadro agudo da doença, denominado leptospiremia. Porém quando a multiplicação do agente ocorre no endotélio vascular determina um quadro de vasculite generalizada nos animais. Após essa fase, o agente pode permanecer nos túbulos contornados renais, sendo eliminado pela urina, de forma intermitente (leptospirúria), e essa eliminação renal do microrganismo ocorre desde 72 horas após a infecção até semanas a meses nos animais domésticos e por toda vida nos roedores.

Em cães, a sintomatologia da leptospirose é variável, podendo apresentar-se sob as formas aguda, hiperaguda ou crônica. Os sinais clínicos dependem da idade do animal, imunidade do hospedeiro, fatores ambientais e a virulência do sorovar. Infecções hiperagudas desencadeiam leptospiremia intensa, choque e morte do animal. Em infecções menos agudas observam-se febre, anorexia, vômitos incoercíveis, desidratação, poliúria, polidipsia, e relutância ao movimento. Com a progressão do quadro pode surgir oligúria e anúria. Na forma crônica, podem não haver sinais clínicos evidentes. O animal pode apresentar hipertermia sem motivo aparente e conjuntivite, ou pode permanecer como portador assintomático.

O diagnóstico é baseado no histórico, contexto epidemiológico e exame físico do animal e confirmado por exames laboratoriais complementares, através de testes sorológicos, moleculares e bacteriológicos.

O tratamento terapêutico vai depender do estágio da severidade da infecção e dos sinais apresentados. O tratamento inicia-se com fluidoterapia, e após o controle da desidratação, a administração de antibióticos ou até transfusão sanguínea em casos mais severos de anemia.

O controle da leptospirose apoia-se na aplicação integrada de ações nos diversos elos da cadeia de transmissão: fontes de infecção (diagnóstico/ tratamento, combate aos reservatórios sinantrópicos); vias de transmissão (eliminação do excesso de água livre, higiene das instalações e equipamentos, higiene da inseminação artificial), suscetíveis (imunoprofilaxia). A vacinação dos animais domésticos é de extrema importância. As vacinas atualmente existentes contra a leptospirose canina contêm bacterinas inativadas, na maioria das vezes, os sorovares icterohaemorrhagiae e canicola, conhecidos mundialmente como os mais prevalentes em cães. Porém o principal controle é a profilaxia, e conforme recomenda o Programa Nacional de Leptospirose (1995), ações profiláticas relativas às fontes de infecção da leptospirose canina devem ser direcionadas para o saneamento do meio ambiente, visando, principalmente, o controle de roedores 

Publicado em Enfermidades

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