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A giardíase é a infecção causada pelo protozoário flagelado do gênero Giardia. No homem, esse parasito vem sendo reconhecido por causar doença entérica, especialmente nos países em desenvolvimento. Em virtude de sua grande prevalência nas populações humana e animal e da transmissão zoonótica, a giardíase é considerada um grave problema de saúde coletiva.

As vias de transmissão ambientais incluem todos os meios ou veículos que contêm formas infectantes suficientes sendo os mais comuns a água e alimentos. A transmissão de Giardia sp.  pode ocorrer através de qualquer mecanismo pelo qual material contaminado com fezes contendo quistos infectantes de seres humanos ou animais possa ser ingerido por um hospedeiro susceptível. Os quistos de Giardia sp. são transmitidos por via fecal-oral, direta ou indiretamente.

Em razão da adoção de gatos ter crescido muito nos últimos anos, houve um aumento no interesse pelas doenças em que estes animais atuam como hospedeiros. Estudos têm demonstrando que a prevalência de Giardia sp. fica em torno de 10 % em gatos.

A infecção por Giardia sp. é comum mas o organismo nem sempre é um agente patogênico primário efetivo, porque muitos dos cães e gatos infectados são portadores sub-clínicos. Há várias formas de manifestação clinica da giardíase, podendo ser assintomática, aguda ou infecção crônica. Essas manifestações estão associadas a fatores relacionados ao hospedeiro, tais como sua resposta imunológica e sua condição nutricional, fatores referentes ao parasito, como a virulência e a patogenicidade da cepa de Giardia sp. Em animais adultos, a infecção costuma ser assintomática, e raramente é detectada, sendo estes animais os prováveis disseminadores no ambiente.  Já em animais jovens, com idade inferior a um ano, os sintomas e os sinais clínicos podem estar presentes e a identificação do parasito é mais facilmente obtida.

A escolha de um método de diagnóstico eficaz tem sido algo bastante debatido ao longo dos anos sobretudo devido ao comportamento específico do parasita durante o seu ciclo biológico. O diagnóstico deste protozoário pode ser realizado através de vários métodos coproparasitológicos e imunológicos. A técnica de flutuação em Sulfato de Zinco a 33% (Técnica de Faust e Cols. 1939) tem sido apontada como a melhor para identificação de cistos e trofozoítos de Giardia sp. Outro método utilizado para diagnóstico de Giardia sp. é o Elisa, que detecta antígenos nas fezes. Técnicas de diagnóstico, como a imunofluorescência e a PCR têm sido estudadas, mas não estão disponíveis para diagnóstico de rotina.

Dos protozoários que freqüentemente acometem os animais e o homem, Giardia sp. tem despertado maior interesse dos pesquisadores, possivelmente por seu potencial como agente de zoonose, além de causar, em animais jovens, diarréia intermitente com comprometimento da digestão e absorção de alimentos, acarretando desidratação, perda de peso e morte.

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Geralmente o proprietário vem à clínica com a queixa de que seu gatinho apresentou paralisia dos membros posteriores de uma forma repentina e muitas vezes acreditam que houve algum trauma/atropelamento.

Para que haja o tromboembolismo é necessário a presença de alguns fatores predisponentes, conhecidos como tríade de Virchow:

1) Estase sanguínea (fluxo sanguíneo diminuído – ao ecocardiograma é visto o fluxo sanguíneo com velocidade muito baixa, conhecido como “sinal de smoke”);

2) Hipercoagulação sanguínea;

3) Lesão endotelial (dilatação atrial causa exposição de colágeno e as plaquetas começam a agregar, diminuindo a fluidez sanguínea);

A principal causa do tromboembolismo é a cardiomiopatia hipertrófica, doença de causa desconhecida e caracterizada pelo espessamento do miocárdio ventricular esquerdo (concêntrica – de fora para dentro), com consequente diminuição da câmara ventricular esquerda. Além disso, ocorre uma obstrução da via de saída do ventrículo esquerdo (aorta), promovendo regurgitação de sangue, dilatação do átrio esquerdo e, a longo prazo, edema pulmonar. Ainda, a hipertrofia do septo pode causar arritmias.

O tromboembolismo é um quadro agudo e emergencial, na qual os gatos apresentam paralisia de membros posteriores (gatinho arrasta as patinhas de trás), vocalização (devido à dor, pois essa obstrução aguda por trombo leva à produção de ácido lático), pulso arterial diminuído (obstrução parcial) ou ausente (obstrução total; mais comum), ausência de sangramento ao cortar unhas, hipotermia e cianose de extremidades (membros posteriores frios e azulados), podendo evoluir para necrose e perda desses membros.

Basicamente, o diagnóstico é feito através de exame clínico e histórico. Pode ser feito um ultrassom abdominal à procura de trombos na aorta abdominal, mas nem sempre podem ser visualizados. Pode ser feito um ecocardiograma, na qual são vistas alterações compatíveis com cardiomiopatia hipertrófica. É importante lembrar que é um quadro que pode ser confundido com trauma em coluna – para diferenciar, o Médico Veterinário palpa o pulso da artéria femoral, pois se for problema medular, o pulso estará normal e se for tromboembolismo, estará fraco ou ausente.

O tratamento pode ser feito de duas formas:

1) Prevenção da formação do trombo - para gatos que apresentam a cardiomiopatia hipertrófica. São usados os inibidores de agregação plaquetária (Clopidogrel ou Aspirina).

2) Tratamento para trombo já formado - nesse caso, há a terapia trombolítica (maior risco de hemorragia; Estreptoquinase ou Urokinase ou Ativador de plasminogênio tecidual) ou terapia anticoagulante (tem menor risco  de hemorragia; Heparina de alto peso molecular) + inibidores de agregação plaquetária.

É muito importante realizar o controle da dor nesses animais (uso de Metadona ou Fentanil), além de tratar a causa de base (cardiomiopatia hipertrófica – uso de beta bloqueadores, inibidores da ECA e furosemida), evitar stress (pois a adrenalina é vasoconstritora e pode diminuir ainda mais o fluxo sanguíneo), promover um ambiente confortável, realizar suporte nutricional (se não se alimentar, colocar sonda esofágica) e fisioterapia nas patinhas. O gato deve ficar em observação por pelo menos 72 horas pelo Médico Veterinário.

A partir de então o animal pode se recuperar e até voltar a andar ou pode desenvolver necrose dos membros e necessitar de amputação. Portanto, se seu gatinho parou de andar repentinamente, leve imediatamente ao Veterinário.

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É uma doença alérgica que afeta cães e gatos, na qual o animal apresenta uma hipersensibilidade à saliva da pulga (a saliva da pulga apresenta mais de 80 tipos de alérgenos diferentes que podem desencadear esse tipo de alergia nos animais). Existem animais que apresentam várias pulgas e não desenvolvem alergia e isso pode ser devido à tolerância imunológica, enquanto outros, ao sofrerem picada de uma única pulga já começam a se coçar.


Antes de entrarmos na doença propriamente dita, é importante entender o ciclo de vida das pulgas: ovo --> larva --> pupa --> pulga adulta. Os proprietários normalmente ficam incomodados quando seus animais apresentam as pulgas pelo corpo, mas as pulgas adultas que nós conseguimos ver a olho nu representam apenas 5%; 95% se encontram no ambiente como ovo, larva e pupa (fase mais resistente, podendo permanecer até 30 semanas no ambiente) e não conseguimos enxergar.


Existem alguns fatores que favorecem a DAPP como por exemplo a presença frequente de pulgas no local, o animal nunca ter sido exposto à pulgas e a atopia (outro tipo de dermatite alérgica, relacionada a alérgenos de diversos tipos).
Normalmente a queixa é prurido (coceira) moderado a severo em região lombossacra nos cães e região lombossacra/cervical e parte de dentro dos membros posteriores nos gatos, alopecia (perda de pelo) em região dorsal e próxima à cauda, eritema (vermelhidão), descamação, hiperpigmentação (escurecimento da pele), desgaste de dentes incisivos devido ao prurido, além da presença das pulgas ou fezes de pulga no animal.


O diagnóstico é realizado por meio do histórico, sinais clínicos e exame físico (presença de pulga, fezes de pulga e distribuição das lesões). É bom lembrar que existem outras dermatites que devem ser excluídas como as dermatopatias alérgicas, parasitárias, comportamentais e fúngicas.
Para evitar esse desconforto para seu animalzinho, é super importante realizar o controle das pulgas nos animais e, principalmente no ambiente. Para os pets, existem vários antiparasitários, com mecanismos de ação e apresentações diversas no mercado pet (Frontline/Revolution/Advantage Max 3/Capstar, entre outros – converse com o veterinário para que ele indique o melhor para o seu animal). Para o ambiente, é importante aspirar os cômodos da casa e as caminhas dos animais, além de usar produtos como amitraz, butox e outros antiparasitários. É super importante também tratar os animais contactantes. 

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A micoplasmose felina, também conhecida como anemia infecciosa felina, é causada por uma ricketsia, Mycoplasma haemofelis, anteriormente conhecida como Haemobartonella felis. O Mycoplasma haemofelis é um organismo altamente pleomórfico, parasita obrigatório dos glóbulos vermelhos dos felinos domésticos, estando localizado na periferia destes, onde ocorre a sua replicação, causando destruição e, conseqüentemente, levando ao surgimento de anemia. A anemia é regenerativa, pois não causa dano à medula óssea, o que deve ser levado em conta na hora do diagnóstico. Nem sempre o felino desenvolve a doença, e nestes casos, o mesmo passa a ser portador assintomático.

A principal forma de transmissão da afecção ocorre por meio de artrópodes, como pulgas (C. felis) e carrapatos (R. sanguineus), ou pela forma iatrogênica, por exemplo, pela transfusão de sangue. Em caso de comprometimento de seu sistema imunológico, seja por vírus ou estresse, a bactéria voltará a se manifestar. Caso isso ocorra, a doença não atingirá os mesmos índices, pois seu organismo já terá criado certa imunidade contra a bactéria.

Sua epidemiologia é pouco compreendida, a doença pode ocorrer em gatos de qualquer idade, porém é mais prevalente em animais mais jovens, sendo que em 50 % dos casos estão presentes na faixa etária compreendida entre um a três anos. Aparentemente os machos estão sob maior risco que as fêmeas, não há variação estacional.

Acredita-se que o Mycoplasma sp. seria um patógeno oportunista, que em situações de estresse ou enfermidade culminam com sua manifestação, no entanto em estudos que avaliaram grande número de gatos doentes, não era possível identificar o fator desencadeador, e nestes casos a micoplasmose era considerada uma doença primária

A doença é caracterizada por duas fases: fase aguda, onde há aumento do baço (esplenomegalia) e a fase crônica, com presença de hematúria, corrimento nasal, icterícias em todo corpo, mucosas descoradas pela anemia profunda, epistaxe, petéquias, diarréia, alopecia, depressão, aumento da temperatura corpórea, aumento da pressão ocular, hiporexia, perda de peso, apatia e amarelamento das mucosas em geral, mais visivelmente dos olhos e boca. Cerca de 1/3 dos gatos não tratados morrem da infecção.

Os animais gravemente afetados podem morrer com evidência de uma anemia hemolítica grave; outros podem se recuperar, com ou sem tratamento; e ainda outros sofrem recidivas e terminam morrendo em seguida a uma enfermidade prolongada.

O diagnóstico geralmente é feito através dos sintomas apresentados pela história dos hábitos do animal, além de exames laboratoriais sangüíneos que detectam anormalidades nas células do sangue e a presença dos microorganismos responsáveis pela doença. O hemograma oferece informações que vão auxiliar no diagnóstico da doença, revelando o estado geral do individuo. É importante ressaltar que é necessário associar os achados do hemograma, os sinais clínicos e se necessário solicitar outros exames para realizar o diagnóstico preciso da doença. O hemograma deve ser visto como um exame de triagem, demonstrando se há infecções, anemias e para acompanhar a evolução da doença bem como a efetividade da terapêutica instituída.

O tratamento se constituiu a base de antibióticos e corticosteróides.

O prognóstico para micoplasmose geralmente é bom se a crise anêmica puder ser rapidamente revertida; mas alguns gatos sofrem anemias fatais em decorrência de baixíssimos volumes globulares. O estado de portador que freqüentemente ocorre deixa o gato susceptível a recidiva. Esse gato não deve servir como doador de sangue, mas é considerado como não contagioso para outros gatos, mesmo no estado portador.

Podemos concluir que o combate de ectoparasitas, como pulga e carrapato, é importante para um programa de prevenção a micoplasmose, trazendo melhor qualidade de vida e menores riscos ao animal.

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