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Paralisia em cães reprodução/petcare
Botulismo é uma doença paralisante que acomete aves e mamíferos. É causada pela ingestão de neurotoxina letal produzida pelo Clostridium botulinum, bactéria anaeróbia estrita, Gram-positiva, habitante normal do solo e que pode esporular em condições adversas. O agente é ubiquitário, podendo se desenvolver em vários tipos de substratos desde que haja um ambiente favorável, associado a condições de anaerobiose que permitam a multiplicação. Comumente os cães se intoxicam ao ingerirem a toxina presente em tecidos de carcaças em decomposição.
 
Existem sete tipos de C. botulinum, classificados de A até G, sendo o tipo C o principal responsável por casos de botulismo em cães. As toxinas produzidas pelo C. botulinum são os mais potentes tóxicos conhecidos de origem microbiológica. Resistentes à ação proteolítica, são absorvidas pela mucosa intestinal e agem na placa neuromuscular, causando uma paralisia flácida.
 
Assim que é ingerida, a toxina é absorvida pelo estômago e parte superior do delgado, até os linfáticos. A toxina circula até a junção neuromuscular dos nervos colinérgicos onde exerce seus efeitos. A toxina botulinica impede a liberação pré - sinaptica de acetilcolina. O bloqueio da liberação de acetilcolina resulta em moléstia generalizada do neurônio motor e na disfunção parassimpática.
 
Os sinais clínicos observados são paralisia progressiva e ascendente do neurônio motor inferior acometendo nervos cranianos e espinhais. Os cães ficam profundamente enfraquecidos, perdem o tônus muscular e não apresentam reflexos espinhais, mas não há atrofia muscular. A propriocepção e a percepção da dor são normais, sem hiperestasia. É comum o acometimento extenso de nervos cranianos. Os cães acometidos podem ter sialorréia, tosse e dificuldade de apreender a comida. Pode ocorrer o aparecimento de megaesôfago, então é comum o animal apresentar regurgitação. Em cães gravemente acometidos pode - se observar midríase.
 
O período de incubação da doença varia de algumas horas até 2 dias após a ingestão da toxina. Dependendo da gravidade da intoxicação, os cães apresentam diferentes quadros clínicos, demonstrando desde instabilidade ao moverem-se e fraqueza ascendente simétrica, até prostração profunda e paralisia flácida generalizada e psiquismo inalterado.
 
O diagnóstico de rotina é baseado nas manifestações clínicas e histórico do animal e ingestão de comida deteriorada. O teste padrão para a detecção de botulínicas é a prova biológica com inoculação em camundongos.
 
O tratamento do botulismo em cães é baseado na terapia de suporte, incluindo principalmente hidratação, cuidados com a ventilação, manejo da disfagia e da retenção urinária, além de constante reposicionamento para evitar escaras de decúbito. A retenção fecal é comum e, no caso de intoxicação recente, a administração de laxativos e enemas podem ajudar também a eliminar toxinas não absorvidas, presentes no trato gastrointestinal. Como a toxina liga-se irreversivelmente ás junções neuromusculares, a recuperação ocorre ao passo que novas junções são formadas. Dessa forma, animais leve a moderadamente acometidos recuperam-se entre uma a três semanas, enquanto nos casos mais graves o prognóstico é desfavorável, ocorrendo óbito por parada respiratória ou infecções secundárias, principalmente pulmonares e císticas.
 
Desta forma, apesar do botulismo ser considerado raro em cães e geralmente ter um bom prognóstico as neurotoxinas clostridiais causam desordens do sistema nervoso com sinais clínicos diferindo vastamente. Portanto, deve-se prevenir a doença impedindo o acesso dos animais a fontes potenciais de toxina botulínica, especialmente carcaças em decomposição.
  • Nunca administre qualquer tratamento sem consultar um profissional da área. Esse site é meramente informativo e não oferecemos consultas gratuitas.
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Sobre o autor

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Graduada pela Faculdade Multivix, Castelo/ES. Atua como plantonista nas áreas de clínica e cirurgia de pequenos animais.

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