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A cinomose é causada por um vírus RNA, helicoidal, envelopado (ou seja, permanece pouco tempo no ambiente e é sensível aos desinfetantes comuns como o hipoclorito de sódio, a famosa água sanitária). É um vírus que tem predileção por epitélio e sistema nervoso. Os animais suscetíveis são cães jovens não vacinados ou inadequadamente imunizados, mas também pode ocorrer em animais adultos.

Epidemiologia:
O vírus é eliminado por meio de secreções e excreções (mesmo depois da recuperação, o vírus pode continuar sendo eliminado de 1 semana a 3 meses) e a via de transmissão são os aerossóis. 
Em nosso país é mais comum ocorrer durante o inverno, pois é a estação na qual os ambientes ficam fechados,há aglomeração e o ar está seco, prejudicando o epitélio respiratório.

Patogenia:
O vírus penetra via aerógena. ocorre infecção das tonsilas e linfonodos brônquicos, em seguida do timo, baço e linfonodos retrofaríngeos. Nesse momento acontece a multiplicação viral, hipertermia e infecção dos tecidos epiteliais (células intestinais) e de células mononucleares (há viremia - os vírus atingem a corrente sanguínea).

A partir de então podem ocorrer 2 tipos de resposta:
1) Se o animal estiver com a imunidade inadequada, vai ocorrer baixa resposta dos anticorpos, ou seja, o organismo não irá produzir uma resposta imunológica adequada.
2) Se o animal estiver com a imunidade adequada, vai ocorrer boa resposta de anticorpos, a doença será inaparente e a incidência de sinais neurológicos é baixa.
Caso haja disseminação pelos tecidos epiteliais e sistema nervoso central, haverá 2 possibilidades também:
1) Ausência de anticorpos: a doença ocorre de forma grave e multissistêmica. O vírus permanece nos tecidos e o animal pode ir a óbito ou até mesmo se recuperar (podendo ficar com sequelas neurológicas).
2) Baixa quantidade de anticorpos: a doença ocorre de forma moderada ou até mesmo inaparente. O vírus será eliminado e pode persistir no pulmão, pele e sistema nervoso central. Neste caso o animal pode apresentar sinais neurológicos ou se recuperar, porém com sequelas.
Hematologicamente, no início da doença, ocorre diminuição de linfócitos e leucócitos, diminuindo a imunidade do animal e predispondo à infecções secundárias.

Sinais Clínicos:
Febre (somente nos 2 primeiros dias), conjuntivite (seca), tosse, diarreia e vômito.
Se a doença ocorrer durante o período de erupção dentária, o animal apresentará hipoplasia de esmalte (formação incompleta ou deficiente da matriz orgânica do esmalte).

Sinais neurológicos: encefalite aguda (animais jovens), mioclonias e contrações musculares involuntárias, convulsões parciais (parece que animal está mascando chiclete), ablepsia (não enxerga direito, pois há coriorretinite), ataxia (falta de coordenação), leucoencefalomielite (animais adultos) e vocalização (é um tipo de convulsão focal).

É muito comum também  hiperqueratose (espessamento da camada mais superficial da epiderme) nasal e no coxim plantar ("sola" das patinhas).

Diagnóstico:
- Histórico e sinais clinicos. 
- Oftalmoscopia (coriorretinite). Citologia da conjuntiva.
- Hematologia: diminuição de linfócitos e leucócitos, aumento de neutrófilos, presença de corpúsculo de Lentz (geralmente no início da doença).
- Exame do líquor: aumento de proteínas e linfócitos.
- Sorologia (para pesquisa de antígeno ou anticorpo).
- PCR.

Tratamento:
O tratamento é basicamente sintomático.
Devemos realizar uma reposição hidroeletrolítica. É importante também a administração de antibioticoterapia devido às possíveis infecções secundárias, já que este animal estará imunossuprimido. Se o animal estiver apresentando convulsões, é importante a administração de um fármaco anticonvulsivante. Também é importante a suplementação nutricional e vitaminas A, C e complexo B, visando a proteção neuronal. E pensando nos sinais neurológicos devemos lançar mão do uso de corticoides por 1 a 3 dias ou DMSO. 
Existe um antiviral (ribavirina) que pode ser usada por um mês (exceto em filhotes) com acompanhamento semanal de hemograma. Vale a pena usar em animais contactantes e naqueles que possuem antígeno positivo, mas sem sinais neurológicos.
O prognóstico vai depender da severidade dos sinais clínicos, mas em casos severos é comum um prognóstico reservado.

Prevenção:
Como muita gente sabe, o principal meio de prevenção da cinomose é a vacinação adequada. O protocolo utilizado é a vacina V10 (ética, dada em consultório veterinário e não em casas agropecuárias ou qualquer outro local) em filhotes com 60, 90 e 120 dias (antes dos 60 dias não é indicado, pois o filhote ainda tem anticorpos oriundos da mãe e a vacina perde o efeito), além da revacinação anual. É importante também garantir bons títulos vacinais às fêmeas antes  da gestação para que ela transfira boa imunidade aos seus filhotes.
Além disso, devemos isolar os animais doentes dos sadios.
Vale lembrar que NÃO é zoonose, ou seja, não é transmitida para seres humanos. É transmitida apenas entre animais, por isso é importante que seu cãozinho seja revacinado todo ano!

  • Nunca administre qualquer tratamento sem consultar um profissional da área. Esse site é meramente informativo e não oferecemos consultas gratuitas.
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Sobre o autor

Website.: www.facebook.com/pages/Dra-Thaís-Prado-Médica-Veterinária/1585245438418848?fref=ts

Graduada em Medicina Veterinária pela Universidade Paulista - UNIP. Atualmente cursando pós graduação na área de Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais no Instituto Qualittas. Atua na área de Clínica Médica  em atendimentos domiciliares de cães e gatos.

CRMV: 36179-SP

Contato: (11) 5581-4536 / 98986-1929
São Paulo - SP

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