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Câncer de mama em gatas collective-evolution

Câncer de mama em gatas

Meu gato pode ter câncer de mama? Sim, infelizmente pode.

O câncer de mama é mais frequente em cadelas do que em gatas, porém, quando ocorre em gatas, em sua maioria é maligno, sendo o terceiro câncer mais comum em gatos, perdendo apenas os de pele e os linfomas.

As gatas possuem 4 pares de mamas e normalmente são as mais caudais as mais acometidas.

Predisposição (faixa etária, racial e gatas não castradas)

Gatas na idade adulta, entre 10 e 14 anos em média tem maior predisposição a desenvolver o câncer. O risco de desenvolver a doença aumenta proporcionalmente com a idade, principalmente em gatas não castradas. A castração das gatas é o melhor jeito de prevenir a doença. Trabalhos recentes mostram que uma gata castrada antes do primeiro cio tem 91% de chance de não desenvolver o câncer (ou 9% de chance de ter o câncer); antes do segundo cio, 86% (14% de chance de ter); e antes do terceiro cio, cai para 11% de chance de não apresentar a doença. Fica fácil de entender que uma gata não castrada tem chances enormes de desenvolver o câncer de mama e que a castração antes do primeiro cio diminui muito a chance da sua gata ter essa doença.

A raça de gatos siameses tem duas vezes mais chances de desenvolver a doença e isso ocorre por uma herança genética.

Gatos machos podem apresentar o tumor, mas a incidência é bem menor do que nas fêmeas.

Apresenta-se clinicamente como um nódulo nas mamas, que pode estar aderido à pele e/ou a musculatura ou móvel. O nódulo não tem ou tem pouquíssima sensibilidade dolorosa à palpação (o animal tem a sensibilidade natural da região) ou a punção, o que possibilita a palpação e exames, como a citologia. O animal pode apresentar sinais de dor se houver inflamação em conjunto. Os sinais de inflamação são inchaço (edema), vermelhidão, região quente e dolorida.

Cânceres de mama não são doenças contagiosas. Nenhum animal não vai se contaminar com outro que tenha câncer. Aparentemente a obesidade e refeições caseiras são fatores associados a aumentarem o risco de desenvolvimento desse câncer. Existem também algumas evidencias de influencias genéticas em alguns casos.

Anticoncepcionais

Os anticoncepcionais injetáveis não são uma boa alternativa a castração. O fácil acesso e o preço baixo saem mais caros do que se imagina. A dosagem hormonal presente neles é capaz de causar câncer de mama, hiperplasia mamária benigna, infecção de útero e morte dos fetos se a gata receber a aplicação durante a gravidez (não é incomum o animal esta prenhe e o proprietário não sabe). A maioria dos casos que vi de câncer de mama em gatas era de animais que tinham recebido a aplicação desse medicamento.

Metástases

Os tumores de mama em gatos fazem metástase comumente. Metástase é o desprendimento de células cancerígenas da lesão inicial que vai para outro órgão do corpo através, por exemplo, da corrente sanguínea. De maneira simples, quando o tumor se espalha no organismo. O pulmão e os linfonodos regionais (próximos à lesão) são os órgãos mais acometidos por metástases de câncer de mama em gatas. Normalmente, os linfonodos inguinais e axilares, que são os pontos de drenagem da mama, são os mais comuns.

Prevenção

Como exame preventivo, os donos podem palpar as mamas das gatinhas em toda a sua extensão, dos dois lados, com certa frequência, para descobrir se há algum nódulo. Mas palpar não é apertar, espremer. Toque nas mamas, sinta o tecido subcutâneo, escorregue ele entre seus dedos. Caso encontre algo suspeito, leve a gatinha para o veterinário para que ele avalie melhor e de sequência ao tratamento se houver necessidade. Mesmo que você não encontre nada, é indicado levar seu pet para o veterinário anualmente para exames de check up, quando ele pode examinar o seu animal e te dizer se há alguma coisa para se preocupar.

Minhas gata tem um nódulo! E agora?

Na presença de nódulo, o veterinário vai precisar de alguns exames para saber de que tipo de alteração se trata e se há alguma alteração sistêmica junto. Os exames podem incluir citologia da lesão e dos linfonodos (se estiverem alterados também), biopsia, raio-X de tórax, dentre outros que forem necessários para a avaliação clínica do animal.

Exames

A citologia é um exame onde é colhido material da lesão para analisar o tipo celular presente. É útil para o diagnóstico diferencial de possíveis tumores benignos, malignos, além de alterações não neoplásicas. Porém, para o diagnóstico definitivo do tipo de neoplasia, é necessária a biopsia, que é a retirada de um fragmento através de excisão cirúrgica. O raio-X de tórax deve ser feito para verificar se há metástase no pulmão.

Tratamento

O tratamento consiste basicamente na retirada cirúrgica, não só da mama acometida, mas de toda a cadeia mamária acometida. As chances de recidiva do tumor (quando o câncer volta a crescer no local onde foi retirado) são grandes, por isso a importância de um tratamento cirúrgico “agressivo”.

A quimioterapia normalmente é associada com a retirada cirúrgica para aumentar as taxas de sobrevida das gatas.

A falta de tratamento acarreta a disseminação do câncer (aumento da lesão em si e metástases), levando a piora clínica da gata e consequente morte.

Prognóstico

O prognóstico de uma gata com câncer de mama é reservado. Infelizmente, a taxa de sobrevida não passa de 1 ano em média depois que o tumor é diagnosticado. Para animais que receberam tratamento cirúrgico agressivo com uma lesão pequena, a sobrevida fia em torno de 2 a 3 anos.

A eficiência do tratamento vai depender de quando o câncer foi diagnosticado e do tamanho da lesão, se já tem metástase e aonde, da condição clínica geral da gata. Por isso é tão importante fazer exames regularmente nos nossos animais amados, para que se eles tiverem alguma doença, a gente consiga diagnosticar cedo e assim, ter mais sucesso no tratamento!

  • Nunca administre qualquer tratamento sem consultar um profissional da área. Esse site é meramente informativo e não oferecemos consultas gratuitas.
LINK:

Sobre o autor

Website.: gatalia.com.br

Graduada pela Universidade de Marília - UNIMAR. Atualmente cursando mestrado na área de Clínica Médica Veterinária na UNESP de Botucatu. Atua na área de clínica e comportamento de cães e gatos, com foco voltado para gatos.

 
CRMV: 34.988-SP
 
Contato: (14) 99684-0784
Botucatu - SP
E-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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